Luís Alfredo Cuini: a história de Boca, o náutico que dedicou a vida ao rio Tietê
Luís Alfredo Cuini, conhecido carinhosamente como Boca, foi uma personalidade marcante em Araçatuba-SP, reconhecido por sua dedicação ao trabalho náutico, pelo envolvimento comunitário através do escotismo e pelo compromisso social que o tornava querido entre amigos, colegas e instituições locais. Nascido em 24 de maio de 1971, Boca construiu uma trajetória profissional ligada ao rio Tietê e deixou um legado de trabalho honesto, liderança juvenil e compromisso com o bem comum que permanece na memória da cidade.
Filho de Alice Araújo Cuini e Luiz Pedro Cuini, Luís Alfredo cresceu na Vila Industrial de Araçatuba-SP, especificamente na rua Monte Castelo, onde desenvolveu amizades duradouras e aprendeu os valores que o guiariam por toda a vida. Casado com Rita de Cássia Duarte Cuini, foi pai de Laura Duarte Cuini e Lucas Duarte Cuini, deixando também as irmãs Núbia Cristiane Cuini de Freitas e Nubinéia Cuini Monari. Sua família reconhecia nele um homem trabalhador, dedicado e sempre disposto a ajudar.
Os primeiros passos profissionais e a paixão pelos motores
Desde muito jovem, Luís Alfredo Cuini demonstrou disposição para o trabalho. Aos 11 anos, iniciou sua experiência profissional em um consultório dentário, porém logo percebeu que seu verdadeiro interesse residia em motores e velocidade. Essa descoberta o levou a se tornar um exímio mecânico, profissão que o acompanharia por muitos anos. Na rua Monte Castelo, montou sua primeira oficina de motos, empreendimento que cresceu gradualmente e consolidou sua reputação como profissional competente e confiável.
Contudo, a ambição profissional de Boca o impulsionou para novos horizontes. A transição do mundo das motos para a náutica representou um ponto de inflexão em sua carreira. Luís Alfredo Cuini investiu em sua formação profissional, realizando diversos cursos especializados pelo Brasil, obtendo certificações em marcas renomadas como Honda, Suzuki e Yamaha. Essa dedicação à qualificação técnica refletia sua seriedade com a profissão e seu compromisso em oferecer serviços de excelência.
A experiência internacional e o retorno ao Brasil
A carreira de Luís Alfredo Cuini ganhou dimensão internacional quando decidiu trabalhar no Japão. Durante três anos, Boca vivenciou uma experiência profissional em um país de grande desenvolvimento tecnológico, aprimorando ainda mais seus conhecimentos no ramo náutico. Esse período no exterior representou um investimento pessoal significativo em sua formação, demonstrando sua disposição em buscar conhecimento e experiência onde quer que fosse necessário.
Após retornar ao Brasil, Luís Alfredo Cuini dedicou-se integralmente ao trabalho no mundo náutico, atuando nas margens do rio Tietê em Araçatuba-SP. Sua base de operações incluía o Hotel Fazenda Tietê Resort Araçatuba, onde contribuía significativamente para o aquecimento do turismo regional. Além disso, Boca atendia clientes no Yacht Club, em diversos ranchos e em sua oficina especializada. Sua clientela se estendia também para o Mato Grosso do Sul, consolidando sua reputação como profissional de confiança em toda a região do Noroeste Paulista.
O envolvimento comunitário e o escotismo
Para além da vida profissional, Luís Alfredo Cuini dedicou quarenta anos ao Grupo Escoteiro Dom Bosco de Araçatuba-SP, organização que iniciou sua participação ainda na infância sob a orientação do Padre Ângelo. Durante quatro décadas, Boca percorreu todas as etapas do escotismo, chegando ao cargo de chefia da Tropa Sênior, posição que refletia sua liderança e compromisso com a formação de jovens. Seu envolvimento com o escotismo transcendia as atividades formais do grupo; Boca era conhecido por preparar galinhada para moradores de rua, demonstrando sua sensibilidade social e disposição em ajudar os mais necessitados.
Além do escotismo, Luís Alfredo Cuini mantinha relacionamento próximo com instituições de segurança e proteção ambiental. Estava sempre disposto a colaborar com o Corpo de Bombeiros e com a Polícia Ambiental, oferecendo seu conhecimento técnico e sua embarcação para operações que beneficiassem a comunidade. Essa disponibilidade em servir ao bem coletivo tornava Boca uma figura respeitada e querida entre os profissionais dessas instituições.



O reconhecimento da comunidade
O trabalho de Luís Alfredo Cuini em prol da comunidade de Araçatuba-SP foi reconhecido formalmente quando o vereador Dunga homenageou Boca ao nomear o Pier da Prainha de Araçatuba em seu nome. Essa homenagem refletia o apreço da cidade pelo profissional dedicado e pelo cidadão comprometido com o desenvolvimento local. O pier tornou-se um símbolo do legado de Boca, marcando sua contribuição para a infraestrutura turística e recreativa de Araçatuba-SP.
O trágico acidente no rio Tietê
Em 4 de outubro de 2023, uma ventania inesperada transformou o rio Tietê, local onde Luís Alfredo Cuini trabalhava, em cenário de tragédia. Durante suas atividades profissionais nas margens do rio, Boca foi surpreendido pela tempestade que o levou às águas. O corpo de Luís Alfredo Cuini foi encontrado pela Polícia Ambiental de Araçatuba em 6 de outubro de 2023, dois dias após o acidente. O sepultamento ocorreu em 7 de outubro de 2023, data que marcou o luto de Araçatuba-SP.
A morte de Luís Alfredo Cuini impactou profundamente a comunidade araçatubense. Naquele dia, a cidade praticamente parou em sinal de respeito. Amigos, colegas, profissionais do Corpo de Bombeiros de Araçatuba, Polícia Ambiental de Araçatuba e diversas outras pessoas que conheciam Boca compareceram para homenagear o homem que havia dedicado sua vida ao trabalho honesto e ao serviço comunitário. A tragédia reuniu pessoas de diferentes círculos sociais e profissionais, todas unidas pela perda de alguém que havia deixado marcas positivas em suas vidas.
O legado de um trabalhador dedicado
Luís Alfredo Cuini faleceu em 6 de outubro de 2023, aos 52 anos, deixando um vazio significativo em Araçatuba-SP e na região do Noroeste Paulista. Sua morte não foi apenas a perda de um profissional competente, mas também de um pai amoroso, um irmão dedicado, um amigo leal e um cidadão comprometido com o bem comum. Boca morreu fazendo aquilo que amava: trabalhando nas águas do rio Tietê, cumprindo seu ofício com a mesma dedicação que caracterizou toda sua vida.
A família Cuini expressou sinceros agradecimentos a todos aqueles que participaram das buscas e operações de resgate, incluindo a Polícia Ambiental, Polícia Rodoviária, Marinha, Corpo de Bombeiros e diversos amigos e colegas que colocaram suas embarcações no rio em busca de Boca. Nomes como Alemão, Cléber, Max, Diógenes, Pacó, Lucas Cuini, Jefinho, Tales Torres, Ricardo, Marco, Sônia Semensato, Luizinho, Marcelo e Núbia foram destacados pelo empenho incansável durante aqueles dias difíceis.
A história de Luís Alfredo Cuini permanece viva na memória de Araçatuba-SP como exemplo de dedicação profissional, compromisso comunitário e amor ao trabalho. Seu nome continua associado ao Pier da Prainha, lembrança constante de um homem que amou sua cidade e contribuiu significativamente para seu desenvolvimento. Boca não foi apenas um náutico experiente; foi um construtor de relacionamentos, um mentor para jovens escoteiros e um cidadão que compreendeu a importância de servir ao próximo com honestidade e generosidade.



























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