Francisco Cardassi

por | 19/01/2026 | PERSONALIDADES | 0 Comentários

Francisco Cardassi: o “Chico Defunto” que marcou a história de Araçatuba

é lembrado em -SP como empresário, figura popular e personagem de muitas histórias, tanto pelo trabalho no setor funerário quanto pela presença carismática na vida social da cidade.

Nascido em 1910, em , chegou a -SP em 1928 e, a partir daí, construiu uma trajetória ligada ao trabalho, à fé e ao atendimento às famílias, ao mesmo tempo em que se tornou conhecido no carnaval de rua por elaborar carros alegóricos em sua época. Ao longo dos anos, ele também foi chamado por um apelido que atravessou gerações: “”.

Quando veio de Bebedouro, trabalhou como e, depois, entrou de vez no caminho do empreendedorismo. Com o passar do tempo, tornou-se fundador da , descrita como uma das mais tradicionais funerárias de , e, posteriormente, também ampliou sua atuação para o ramo de marmoraria, consolidando o sobrenome Cardassi como referência comercial na cidade.

De Bebedouro a : começo de vida e chegada em 1928

A história registrada pela família aponta que nasceu em 1910, em , e que já veio casado com quando o casal se mudou para -SP, em 1928, em um período em que a cidade crescia e atraía trabalhadores e empreendedores. Nesse início, ele atuou como e, ao mesmo tempo, foi construindo relações e aprendendo rotinas práticas que mais tarde ajudariam a sustentar seus próprios negócios.

Com o passar dos anos, Francisco e Honorina tiveram cinco filhos, por ordem de idade, , , , e . faleceu em 1968, deixando uma trajetória lembrada tanto pela atuação profissional quanto pela presença popular na cidade.

De fato, o apelido “” ficou associado diretamente ao ramo do comércio em que atuava, especialmente pela ligação com os serviços funerários que ele viria a consolidar em -SP. Por isso, embora existam versões folclóricas repetidas ao longo do tempo, a história do atropelamento e do coma não é considerada verídica pela família e pode ter surgido como uma de suas brincadeiras, que eram corriqueiras.

Ao mesmo tempo, as lembranças destacam Francisco Cardassi como um homem de personalidade forte e carismática, conhecido pelo bom humor e pela forma como se tornava assunto nas conversas da cidade. Assim, o apelido atravessou gerações não como ofensa, mas como um marcador popular de um personagem muito conhecido no cotidiano de .

: o empreendimento

Francisco Cardassi fundou a em 1938. Ainda assim, a narrativa mais repetida aponta que o negócio começou de forma simples, com apenas um carro funerário e uma pequena oficina, e foi crescendo conforme a cidade se expandia e as demandas aumentavam.

Francisco montou a funerária sozinho; porém, alguns anos depois, seu irmão Humberto veio trabalhar na empresa. Inclusive, na foto de família abaixo, Francisco aparece como o primeiro à esquerda, enquanto Humberto está ao lado, vestido de branco, reforçando o vínculo familiar registrado nesse momento.

Francisco Cardassi, à esquerda, e irmãos. Ao seu lado, Humberto Cardassi.
Francisco Cardassi, à esquerda, e irmãos. Ao seu lado, . Sentada, ao meio das tias, uma sobrinha.

O Impala preto e um símbolo de época

Entre os elementos mais lembrados, aparece o Impala preto: o carro era de uso pessoal de Francisco Cardassi e, depois de sua morte, passou a ser utilizado pela empresa. Por isso, além de um detalhe material, o veículo acabou virando símbolo de um período e de um estilo muito associado ao fundador.

(Cardassi): fundação em 1966 e localização

Posteriormente, a trajetória empresarial se ampliou com a marmoraria. Consta que a razão social era Cardassi, porém o nome fantasia era “”, fundada em 1966 e localizada na esquina do cemitério, na Av. da Saudade com a Rua Coelho Neto, em . Assim, a atuação da família Cardassi também se conectou à prestação de serviços relacionados a memorialização, mantendo coerência com a área funerária, mas com identidade própria.

O carnaval de rua e os carros alegóricos

Ao mesmo tempo em que consolidava negócios, Francisco Cardassi também teve participação marcante no carnaval de rua de , especialmente por elaborar carros alegóricos em sua época. Esse detalhe é importante porque mostra uma presença para além do trabalho: ele circulava pelos ambientes populares e criativos da cidade e, desse modo, foi se tornando ainda mais conhecido.

Imagens que ficaram na memória: o cortejo e o furgão enfeitado

Entre as lembranças mais vívidas, há quem se recorde do furgão aberto com colunas enfeitadas de coroas, visto ainda na infância. Mesmo para quem era muito pequeno, a cena ficou guardada como parte de uma grande tradição de ligada ao grupo Cardassi, mencionada até hoje quando o assunto é memória afetiva da cidade.

O primeiro veículo de transporte da Funerária Cardassi.
O primeiro veículo de transporte da .

O presépio de Natal e uma tradição que mobilizava a cidade

Além da atuação empresarial e da presença conhecida nas ruas de Araçatuba-SP, Francisco Cardassi e a família Cardassi também ficaram marcados por uma tradição natalina que muita gente ainda recorda com emoção. Todos os anos, em dezembro, era montado um presépio de Natal descrito como “maravilhoso”, que atraía um grande público e, segundo relatos, reunia milhares de pessoas que vinham admirá-lo, inclusive visitantes de outras cidades da região noroeste.

Da mesma forma, quem era criança na época costuma contar que visitar o presépio era um dos passeios favoritos do fim de ano. Algumas memórias falam de um presépio “muito lindo” e “todo movimentado”, daqueles que faziam as pessoas ficarem longos minutos — ou até horas — observando os detalhes e voltando mais de uma vez durante o mês.

Esses relatos reforçam a imagem de uma família tradicional e empreendedora em Araçatuba, lembrada com respeito não só pelos negócios, mas também por contribuir com momentos coletivos de encontro e encantamento, especialmente no período natalino.

Falecimento de Francisco Cardassi

Francisco Cardassi faleceu em 1968. Ainda assim, sua ausência foi sentida por quem acompanhou sua trajetória em Araçatuba-SP, onde construiu a vida ao lado de e viu a família crescer. Com o passar do tempo, o nome “” permaneceu na memória afetiva de Araçatuba, associado ao trabalho, às histórias contadas por quem conviveu com ele e ao respeito que a família conquistou na cidade.

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *