Dario Ferreira Guarita

por | 20/02/2026 | PERSONALIDADES | 0 Comentários

: trajetória do pioneiro que marcou e o

foi um dos principais protagonistas da história de e do , atuando como , líder rural, pecuarista, empreendedor e articulador institucional em âmbito nacional. Sua atuação reúne a formação da , o pioneirismo na criação de gado da , o associativismo rural, a participação na e a projeção da região no cenário brasileiro e internacional.

Origens familiares e formação de

nasceu em 19 de maio de 1905, filho de e . Ao final dos anos 1900, , e em , casou-se com Edwiges e o casal teve 12 filhos, entre eles Dario. A família construiu sua trajetória ligada ao direito, à atividade cartorária e, posteriormente, à agropecuária no .

Em 1916, quando tinha apenas oito anos de fundação, comprou, por 2 contos de réis, 426 alqueires de terras da Fazenda Macaúbas, localizada próxima à margem direita do . As terras pertenciam ao canadense Robert Todd Locke, que chegou ao em 1880 para trabalhar na implantação do ramal da Estrada de Ferro Noroeste do e recebeu a gleba como pagamento pelos serviços prestados. A área adquirida foi registrada como , que, posteriormente, os sucessores passaram a chamar de .

Dario formou-se em Direito aos 21 anos. Em março de 1927, assumiu o cargo de 1.º e Escrivão de çatuba, então conhecida como “Comarca Boca do Sertão”. Em 1936, casou-se com , com quem teve três filhos: , e Filho. Essa base familiar e profissional consolidou sua presença na vida pública e no desenvolvimento regional.

e o início da atuação de Dario no campo

O primeiro ciclo sucessório da ocorreu alguns anos após sua compra. Com o falecimento de , decidiu transferir a propriedade da fazenda aos 10 filhos homens, que, em sua maioria, não tinham identificação com a atividade agropastoril. A gestão da área se mostrou um desafio e, assim, em 1928, a tarefa de cuidar da gleba passou para .

Aos 21 anos, já bacharel em Direito e atuando como 1.º e Escrivão de çatuba, Dario mudou-se para a cidade. A proximidade com as terras, à época localizadas no município de çatuba (hoje pertencentes ao território de ), levou Dario a assumir naturalmente a administração da fazenda.

A partir desse momento, ele passou a adquirir gradualmente as participações dos irmãos, transformando a antiga na consolidada . O perfil inovador de Dario imprimiu uma identidade moderna à propriedade, alinhando produção, manejo de pastagens e genética bovina às novas práticas da pecuária brasileira.

Pioneirismo na pecuária e introdução do gado da

A trajetória de no campo se conectou diretamente ao avanço da pecuária no . A tornou-se referência nacional na criação de gado puro de origem. Dario foi um dos pioneiros ao introduzir as primeiras matrizes e reprodutores da na região por volta da década de 1940, com registros de introdução de exemplares em 1945 e, posteriormente, em 1950.

Além do trabalho com genética bovina, Dario também se destacou pela adoção de novas tecnologias de pastagem. Ele foi um dos introdutores do nas pastagens da região, o que contribuiu para aumentar a capacidade de suporte das áreas e melhorar a produtividade das fazendas. Esse conjunto de iniciativas ajudou a modernizar a pecuária regional e colaborou para consolidar e o como polos importantes da pecuária de corte.

Décadas depois, a relevância da foi registrada na obra “ 100 anos – Memória da ”, escrita pela Teté Martinho. O livro, com 207 páginas e ilustrado com fotografias históricas e atuais, celebrou o centenário da fazenda em 2016, destacando as belezas naturais, a e o papel da propriedade como referência na criação de puro de origem.

Liderança associativa e fortalecimento das instituições rurais

A atuação de não se limitou à gestão da Fazenda Guarita. Defensor do associativismo rural em um período em que esse tipo de organização ainda não tinha grande representatividade, Dario participou da criação e do fortalecimento de importantes entidades do setor agropecuário.

Ele foi fundador do , com sede em , que passou a representar os interesses dos produtores rurais da região. Além disso, ajudou a criar a e participou da fundação da Associação dos Criadores de Gado . Também foi associado nº 5 da , entidade ligada ao e organização da pecuária nacional.

Ao longo da década de 1960, Dario assumiu cargos de representação em entidades industriais. Em 1965, integrou a Missão Parlamentar Brasileira que visitou a Índia e o Japão, o que reforçou sua experiência internacional e ampliou o intercâmbio técnico e comercial na área de carnes e derivados. A partir dessa atuação, Dario passou a integrar a diretoria do Sindicato da Indústria de Frios do Estado de e o Conselho Representativo da Indústria Nacional, contribuindo para a articulação entre pecuária, indústria frigorífica e políticas públicas.

O e a projeção internacional de çatuba

A falta de infraestrutura frigorífica adequada no interior paulista levou a atuar também no setor industrial. Em 1951, após críticas ao plano nacional de localização de frigoríficos, Dario se uniu a outros pecuaristas locais e regionais para viabilizar a construção de um frigorífico em .

Dessa mobilização nasceu o , inaugurado em 1957. A empresa rapidamente se destacou pela capacidade de abate e pela qualidade da carne produzida. Em 1959, o frigorífico venceu concorrência internacional e passou a fornecer carne para as , estacionadas na . Esse contrato projetou e o no cenário mundial, reforçando o papel da região como importante produtora de carne bovina.

Esse movimento empresarial integrou produção rural, processamento industrial e exportação, contribuindo para consolidar o modelo de cadeia produtiva da carne que se tornaria padrão no nas décadas seguintes.

Carreira pública, infraestrutura e desenvolvimento regional

A carreira de Dario Ferreira Guarita como 1.º e Escrivão de çatuba também deixou marcas no cotidiano da cidade. Sua atuação no cartório se somou à participação em debates e iniciativas voltadas ao desenvolvimento regional. Ele apoiou e acompanhou projetos de infraestrutura ligados a órgãos como o (DER), a e o Departamento Aeroviário do Estado de (), que impactaram diretamente o .

Essa presença em frentes públicas e privadas fortaleceu os vínculos entre , a malha estadual, a aviação regional e a logística de escoamento da produção agropecuária.

Participação na

O envolvimento de Dario Ferreira Guarita com a vida pública também se manifestou no campo militar. Durante a , ele atuou como Capitão e Subcomandante do 4.º Batalhão do . Nesse período, comandou o pelotão çatubense que saiu da cidade em apoio às tropas revolucionárias paulistas.

O livro “Fazenda Guarita 100 anos – Memória da ” registra essa participação, destacando que Dario se afastou temporariamente dos negócios da fazenda e das atividades cartorárias para se dedicar ao movimento constitucionalista. Essa experiência marcou sua trajetória e, anos depois, rendeu homenagens e condecorações relacionadas à Revolução de 1932.

Missões diplomáticas, indústria e articulação nacional

A experiência acumulada no campo, no associativismo rural e na vida pública levou Dario Ferreira Guarita a participar de importantes missões diplomáticas e empresariais. Em 1952, ele integrou missão econômica brasileira que contribuiu para a atração de grandes indústrias internacionais ao país, como , , Mannesmann, , e .

Essas articulações ajudaram a reforçar a industrialização brasileira no pós-guerra e aproximaram o setor agropecuário de cadeias industriais mais complexas. Dario atuou, assim, como elo entre o interior paulista e decisões de alcance nacional, ampliando o protagonismo econômico do .

Homenagens, reconhecimento e memória em

Ao longo de sua vida, Dario Ferreira Guarita recebeu diversas homenagens. Entre elas, destacam-se:

Na sessão solene em que recebeu o , Dario mencionou a frase atribuída a um líder indígena norte-americano: “Enterrem meu coração na curva do rio”, evidenciando sua ligação afetiva e histórica com e com as margens do , próximas à Fazenda Guarita.

Dario aposentou-se em 14 de julho de 1968 e passou a residir em -SP. Apesar da mudança, manteve o vínculo com çatuba e com a região Noroeste Paulista. Faleceu em dezembro de 1985, deixando extensa trajetória ligada ao direito, à pecuária, ao associativismo e ao desenvolvimento regional.

Em 1991, o governo paulista eternizou seu nome ao reinaugurar o aeroporto da cidade com a denominação “Aeroporto Estadual Dario Ferreira Guarita”. O equipamento público, símbolo de mobilidade, modernização e conexão regional, representa de forma concreta o estilo de vida dinâmico e a visão de futuro associadas à figura de Dario.

Fazenda Guarita, continuidade familiar e memória regional

A história de Dario Ferreira Guarita se entrelaça com a evolução da Fazenda Guarita ao longo do século XX. Em 2016, a propriedade completou 100 anos sob a mesma família, fato considerado raro no contexto brasileiro. A quinta geração, representada pelos netos de Filho e seus irmãos, segue vinculada à fazenda, que permanece viabilizada em suas áreas de atuação.

O livro “Fazenda Guarita 100 anos – Memória da Noroeste Paulista”, escrito por Teté Martinho após dois anos de pesquisa, entrevistas e organização de acervo fotográfico, recebeu apoio da Lei Rouanet e patrocínio da D. Carvalho. A obra foi distribuída gratuitamente em eventos de lançamento e doada para bibliotecas públicas, escolas e universidades de çatuba-SP, , , -SP, e .

Ao revisitar o processo de formação e desenvolvimento da propriedade, a obra também resgata parte da trajetória de Dario Ferreira Guarita, evidenciando como sua atuação contribuiu para o crescimento da região e para o fortalecimento da pecuária no Noroeste Paulista.

Importância histórica de Dario Ferreira Guarita para çatuba e o Noroeste Paulista

A vida de Dario Ferreira Guarita reúne, em uma mesma biografia, elementos centrais da história de çatuba-SP e do Noroeste Paulista: a expansão da fronteira agrícola; a formação de grandes propriedades rurais; o avanço da pecuária de corte; o surgimento de entidades de classe do campo; a industrialização da carne; a participação em movimentos cívicos como a Revolução de 1932; e a inserção da região em agendas nacionais e internacionais.

Como , fazendeiro, líder associativo e articulador institucional, Dario ajudou a transformar a realidade local, projetando Araçatuba e sua região além das fronteiras municipais. Seu nome, presente na Fazenda Guarita, nas instituições que ajudou a fundar e no Aeroporto Estadual Dario Ferreira Guarita, segue associado à memória do desenvolvimento regional, ao pioneirismo na pecuária e ao fortalecimento da identidade do Noroeste Paulista.

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