Nascido em 09 de janeiro de 1938, em Rubiácea-SP, Dirceu Pereira de Souza chegou a Araçatuba ainda jovem, com 16 anos, quando a família se mudou para que os estudos tivessem continuidade. Mais tarde, já adulto, ele circularia por diferentes frentes de trabalho, mas acabaria reconhecido principalmente pelo vínculo com a educação e pela passagem marcante pela Câmara Municipal de Araçatuba, interrompida pela cassação após um discurso de solidariedade ao presidente João Goulart, o Jango, deposto no golpe de Estado.
De Rubiácea a Araçatuba: a mudança na juventude e o caminho até a docência
Primeiramente, a trajetória de Dirceu Pereira de Souza se liga à migração típica de muitas famílias do interior paulista: ele nasceu em Rubiácea e, ainda adolescente, veio para Araçatuba. Esse deslocamento, feito quando tinha 16 anos, ocorreu com a família e tinha como motivação direta o estudo.
Com o tempo, ele teria várias atividades profissionais, porém a docência se tornaria um de seus eixos mais lembrados. Mais precisamente, ele atuou como professor em diferentes instituições, sendo apontado como sua última a Escola Estadual Professor Jorge Corrêa. Além disso, deu aulas na escola EMEB Monsenhor Victor Ribeiro Mazzei e também na cidade de Gabriel Monteiro-SP, e também ficou conhecido no meio acadêmico por atuação no UniToledo.
A eleição de 1963 e a posse: votação, legenda e posição entre os eleitos
Em seguida, a história pública de Dirceu aparece de forma documental na eleição municipal de 06 de outubro de 1963. Conforme a ata de proclamação, em 19 de outubro de 1963, em Araçatuba, no edifício do Fórum, sob a presidência do Dr. Raul Benevides Mendes, Juiz de Direito da 11ª Zona Eleitoral, foi proclamado o resultado para a Câmara Municipal de Araçatuba.
Nesse processo, registrou-se o total de 20.580 votos válidos (inclusive brancos) para vereador, com 19 vagas em disputa, resultando em quociente eleitoral de 1.083. Já o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) obteve 3.198 votos, alcançando 4 lugares (incluídas as sobras calculadas segundo a lei). Em consequência, Dirceu Pereira de Souza foi proclamado eleito com 352 votos nominais, o que lhe assegurou o 1º lugar entre os eleitos pela legenda.
1964: o discurso, a tensão nas galerias e a cassação do mandato
No entanto, o episódio mais conhecido de sua vida política viria logo depois. Em 1964, Dirceu foi cassado após fazer um discurso de solidariedade a João Goulart (Jango), presidente deposto pelo golpe de Estado. O cenário descrito para aquele momento indica o peso da atmosfera política: as galerias da Câmara estavam lotadas e, após a fala, Dirceu teria afirmado que Jango não ficaria afastado da Presidência por muito tempo.
A reação, então, foi imediata e hostil. Ele só saiu da Câmara escoltado pela polícia, porque havia populares que ameaçavam linchá-lo. A proposta de cassação teria partido do então presidente da Casa, Nelson Reis Alves. Ainda assim, meses depois, Dirceu recorreu ao Poder Judiciário, obteve ganho de causa e retornou ao cargo. Segundo a informação registrada, os honorários do advogado foram pagos por Nelson Reis Alves, que se sentiu responsável pela injustiça posteriormente corrigida pela Justiça.
Trabalho, educação e serviço social: as frentes além da política
Depois do trauma político, Dirceu teria se mantido afastado da política, mas não deixou de atuar na vida pública por outros caminhos. Da mesma forma que era lembrado como vereador, ele consolidou reputação como professor e como advogado, circulando por ambientes educacionais e acadêmicos em Araçatuba.
Além disso, sua trajetória inclui atuação no SESI (Serviço Social da Indústria): em São Paulo, ele foi orientador social, trabalhou em escola no bairro do Ipiranga e, posteriormente, foi transferido para Araçatuba, onde também atuou na unidade local. Ainda nessa linha, aparece também a passagem pelo SESI de São Caetano do Sul-SP.
Em paralelo, há registro de trabalho em obras e empresas: ele teria trabalhado nas obras da Nestlé e na Construtora HB, no mesmo período em que exercia o mandato de vereador, o que ajuda a dimensionar uma vida profissional marcada por múltiplas frentes e pela necessidade de conciliar responsabilidades.
Vida pessoal: encontro em São Paulo, casamento e filhos
Ao mesmo tempo, a história pessoal de Dirceu Pereira de Souza se conectou a São Paulo-SP. Foi lá, quando ele estava na Secretaria do Trabalho, que conheceu Teresinha Berenice de Matos. Eles ficaram juntos em 1987, e desse relacionamento nasceram os dois filhos: Francine Matos Pereira de Souza, em 1988, e Otávio Henrique Pereira de Souza, em 1991. Quando o segundo filho nasceu, Dirceu voltou para Araçatuba com a família.
Últimos dias, falecimento e despedida em Araçatuba
Dirceu Pereira de Souza faleceu em 17 de novembro de 2007, aos 69 anos, na Santa Casa de Araçatuba, onde estava internado desde a terça-feira daquela semana. A causa relatada foi hemorragia digestiva, com falecimento em consequência de choque hemorrágico.
O velório foi realizado no plenário da Câmara Municipal, o que reforça o peso simbólico de sua passagem pela política local, e o sepultamento estava previsto para ocorrer às 10h no cemitério da cidade. Na despedida, uma companheira de trabalho de seus tempos de magistério, Inês Mendes, foi citada com emoção ao lembrar um traço pessoal recorrente: Dirceu, segundo ela, conversava com todos, brincava muito e estava sempre bem-humorado — e, por isso, a perda foi sentida com tristeza.
Dirceu Pereira de Souza e a memória política de Araçatuba
Por fim, a história de Dirceu Pereira de Souza costuma ser lembrada por dois fios que se cruzam: de um lado, a rotina da educação e do serviço social, com salas de aula e atuação no SESI; de outro, a marca pública de 1964, quando um discurso — feito em ambiente lotado e sob alta tensão — resultou em cassação e escolta policial para sair da Câmara.
Mesmo tendo voltado ao cargo por decisão judicial e se afastado da política depois, ele ainda apareceu como um dos fundadores do PMDB em Araçatuba, o que mantém seu nome associado a um período de reorganização partidária e de memória política local.

















Toop. Mui tto Bom..! Memórias são eternas realidades.
Muito obrigado pela mensagem e pelo carinho!
Nosso objetivo é exatamente esse: preservar e compartilhar memórias que fazem parte da nossa história. Memórias são, de fato, realidades eternas.