Dirceu Pereira de Souza

por | 16/01/2026 | PERSONALIDADES | 2 Comentários

Nascido em 09 de janeiro de 1938, em , chegou a  ainda jovem, com 16 anos, quando a família se mudou para que os estudos tivessem continuidade. Mais tarde, já adulto, ele circularia por diferentes frentes de trabalho, mas acabaria reconhecido principalmente pelo vínculo com a educação e pela passagem marcante pela Câmara Municipal de , interrompida pela cassação após um discurso de solidariedade ao presidente , o Jango, deposto no .

De Rubiácea a : a mudança na juventude e o caminho até a docência

Primeiramente, a trajetória de se liga à migração típica de muitas famílias do interior paulista: ele nasceu em Rubiácea e, ainda adolescente, veio para . Esse deslocamento, feito quando tinha 16 anos, ocorreu com a família e tinha como motivação direta o estudo.

Com o tempo, ele teria várias atividades profissionais, porém a docência se tornaria um de seus eixos mais lembrados. Mais precisamente, ele atuou como  em diferentes instituições, sendo apontado como sua última a . Além disso, deu aulas na escola EMEB Monsenhor Victor Ribeiro Mazzei e também na cidade de Gabriel Monteiro-SP, e também ficou conhecido no meio acadêmico por atuação no .

A eleição de 1963 e a posse: votação, legenda e posição entre os eleitos

Em seguida, a história pública de Dirceu aparece de forma documental na eleição municipal de 06 de outubro de 1963. Conforme a ata de proclamação, em 19 de outubro de 1963, em , no edifício do Fórum, sob a presidência do Dr. , Juiz de Direito da 11ª Zona Eleitoral, foi proclamado o resultado para a Câmara Municipal de .

Nesse processo, registrou-se o total de 20.580 votos válidos (inclusive brancos) para vereador, com 19 vagas em disputa, resultando em quociente eleitoral de 1.083. Já o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) obteve 3.198 votos, alcançando 4 lugares (incluídas as sobras calculadas segundo a lei). Em consequência,  foi proclamado eleito com 352 votos nominais, o que lhe assegurou o 1º lugar entre os eleitos pela legenda.

1964: o discurso, a tensão nas galerias e a cassação do mandato

No entanto, o episódio mais conhecido de sua vida política viria logo depois. Em 1964, Dirceu foi cassado após fazer um discurso de solidariedade a (Jango), presidente deposto pelo . O cenário descrito para aquele momento indica o peso da atmosfera política: as galerias da Câmara estavam lotadas e, após a fala, Dirceu teria afirmado que Jango não ficaria afastado da Presidência por muito tempo.

A reação, então, foi imediata e hostil. Ele só saiu da Câmara escoltado pela polícia, porque havia populares que ameaçavam linchá-lo. A proposta de cassação teria partido do então presidente da Casa, . Ainda assim, meses depois, Dirceu recorreu ao Poder Judiciário, obteve ganho de causa e retornou ao cargo. Segundo a informação registrada, os honorários do foram pagos por , que se sentiu responsável pela injustiça posteriormente corrigida pela Justiça.

Trabalho, educação e serviço social: as frentes além da política

Depois do trauma político, Dirceu teria se mantido afastado da política, mas não deixou de atuar na vida pública por outros caminhos. Da mesma forma que era lembrado como vereador, ele consolidou reputação como  e como , circulando por ambientes educacionais e acadêmicos em .

Além disso, sua trajetória inclui atuação no SESI (Serviço Social da Indústria): em , ele foi orientador social, trabalhou em escola no bairro do Ipiranga e, posteriormente, foi transferido para , onde também atuou na unidade local. Ainda nessa linha, aparece também a passagem pelo SESI de São Caetano do Sul-SP.

Em paralelo, há registro de trabalho em obras e empresas: ele teria trabalhado nas obras da Nestlé e na Construtora HB, no mesmo período em que exercia o mandato de vereador, o que ajuda a dimensionar uma vida profissional marcada por múltiplas frentes e pela necessidade de conciliar responsabilidades.

Vida pessoal: encontro em , casamento e filhos

Ao mesmo tempo, a história pessoal de se conectou a -SP. Foi lá, quando ele estava na Secretaria do Trabalho, que conheceu . Eles ficaram juntos em 1987, e desse relacionamento nasceram os dois filhos: , em 1988, e , em 1991. Quando o segundo filho nasceu, Dirceu voltou para  com a família.

Últimos dias, falecimento e despedida em

faleceu em 17 de novembro de 2007, aos 69 anos, na , onde estava internado desde a terça-feira daquela semana. A causa relatada foi hemorragia digestiva, com falecimento em consequência de choque hemorrágico.

O velório foi realizado no plenário da Câmara Municipal, o que reforça o peso simbólico de sua passagem pela política local, e o sepultamento estava previsto para ocorrer às 10h no cemitério da cidade. Na despedida, uma companheira de trabalho de seus tempos de magistério, Inês Mendes, foi citada com emoção ao lembrar um traço pessoal recorrente: Dirceu, segundo ela, conversava com todosbrincava muito e estava sempre bem-humorado — e, por isso, a perda foi sentida com tristeza.

e a memória política de Araçatuba

Por fim, a história de costuma ser lembrada por dois fios que se cruzam: de um lado, a rotina da educação e do serviço social, com salas de aula e atuação no SESI; de outro, a marca pública de 1964, quando um discurso — feito em ambiente lotado e sob alta tensão — resultou em cassação e escolta policial para sair da Câmara.

Mesmo tendo voltado ao cargo por decisão judicial e se afastado da política depois, ele ainda apareceu como um dos fundadores do PMDB em Araçatuba, o que mantém seu nome associado a um período de reorganização partidária e de memória política local.

2 Comentários

  1. Celso RF GOMES

    Toop. Mui tto Bom..! Memórias são eternas realidades.

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    • Marco Cenci

      Muito obrigado pela mensagem e pelo carinho!
      Nosso objetivo é exatamente esse: preservar e compartilhar memórias que fazem parte da nossa história. Memórias são, de fato, realidades eternas.

      Responder

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