Garon Maia foi um dos grandes nomes da pecuária brasileira e uma das figuras mais marcantes da história recente de Araçatuba, herdeiro de uma tradição boiadeira e protagonista de importantes transformações no campo.
Origem de uma linhagem boiadeira
O pecuarista Garon Maia recebeu o nome de uma das figuras mais influentes da expansão agropecuária no Brasil: seu pai, Braulino Basílio Maia Filho, conhecido nacionalmente também como Garon Maia, falecido em 2019, aos 93 anos. Braulino foi responsável pela abertura de mais de 50 fazendas pelo país, atuando em estados estratégicos para a pecuária de corte e a formação de rebanhos:
- São Paulo
- Mato Grosso
- Rondônia
- Mato Grosso do Sul
- Minas Gerais
- Goiás
Essa expansão de fazendas ajudou a consolidar uma verdadeira dinastia da pecuária, que uniu tradição boiadeira, visão empresarial e coragem para desbravar novas fronteiras agrícolas.
Garon, o filho, cresceu nesse ambiente de fazendas, gado e estradas de terra, aprendendo desde cedo o valor do trabalho, da palavra empenhada e da presença constante no campo. Mais do que um sobrenome, ele herdou um projeto de vida ligado à terra e ao boi.
Família Maia: um sobrenome ligado à pecuária e à indústria da carne
Além da forte influência do pai, Garon Maia era sobrinho de outro personagem emblemático do setor, o lendário “boiadeiro” Sebastião Ferreira Maia, conhecido como Tião Maia. Tião se definia com simplicidade: boiadeiro, antes de tudo.
Ele foi um dos grandes criadores da região e protagonizou um marco importante para Araçatuba e para a cadeia da carne no interior paulista: foi dono do antigo Frigorífico T. Maia, o primeiro frigorífico da cidade aberto com capital próprio. A unidade funcionou durante anos no prédio onde, mais tarde, viria a se instalar a Universidade Paulista (UNIP), em Araçatuba-SP.
Essa combinação de criação de gado, comércio, indústria de carne e abertura de fazendas em diferentes estados fez da família Maia um dos núcleos mais influentes da pecuária brasileira nas décadas finais do século 20 e início do século 21.
Formação, trabalho e atuação de Garon Maia na pecuária
Inserido nesse contexto, Garon Maia seguiu naturalmente os passos do pai e do tio, construindo sua própria trajetória como pecuarista. Ao longo da vida adulta, esteve à frente de propriedades rurais, participando ativamente de:
- formação e manejo de rebanhos de corte
- seleção de animais de alta produtividade
- implantação de tecnologias de manejo e nutrição
- negócios ligados à compra e venda de gado e à cadeia da carne
Com base em Araçatuba e em outras regiões onde a família mantinha fazendas, Garon se tornou uma referência de pecuarista de campo, próximo das equipes, da lida diária com o gado e atento às mudanças do mercado.
Sua história se confunde com o próprio desenvolvimento do agronegócio em Araçatuba, cidade que se consolidou como polo pecuário e agroindustrial, fortemente impulsionada por famílias como a sua.
A influência de Araçatuba na vida de Garon Maia
Araçatuba, conhecida como uma potência agropecuária, foi o cenário de grande parte da vida e da atuação da família Maia. O município, marcado historicamente pela chegada da Noroeste do Brasil e pela abertura de suas fazendas, viu na pecuária um dos principais motores de crescimento econômico.
Nesse contexto, Garon Maia passou a ser reconhecido não apenas como mais um fazendeiro, mas como parte de uma geração de pecuaristas que ajudou a consolidar a vocação rural e empresarial de Araçatuba. Seu sobrenome tornou-se sinônimo de boi, fazenda e expansão para novas fronteiras.
Luta e resiliência pessoal
Apesar da vida marcada pelo trabalho árduo e pela construção de patrimônio no campo, os últimos anos de Garon Maia foram marcados por uma longa batalha contra a doença. Ele lutou contra um câncer por cerca de 12 anos, enfrentando ciclos de tratamento, melhoras e recaídas.
Nos três meses que antecederam sua morte, o quadro se agravou de forma significativa. Mesmo assim, relatos de quem conviveu com ele destacam a resiliência, a discrição e a dignidade com que encarou a enfermidade, sem se afastar totalmente dos assuntos ligados à família, às fazendas e aos negócios.
Morte de Garon Maia e comoção em Araçatuba
Garon Maia faleceu aos 64 anos, em 24 de outubro de 2022, em sua residência, na cidade de São Paulo. Sua morte ocorreu em meio ao agravamento do câncer contra o qual lutava há mais de uma década.
A notícia teve forte repercussão em Araçatuba e em regiões ligadas à pecuária, onde seu nome e o da família Maia são amplamente conhecidos. Amigos, familiares, pecuaristas, funcionários de fazendas e pessoas ligadas ao agronegócio lamentaram a perda de um dos grandes representantes da atividade boiadeira com raízes na cidade.
Seu falecimento marcou simbolicamente mais um capítulo de encerramento de um da velha guarda da pecuária, formada por famílias que abriram fazendas em áreas remotas, muitas vezes quando a infraestrutura ainda era precária, mas a coragem de investir falava mais alto.
Legado de Garon Maia para a pecuária e para Araçatuba
O legado de Garon Maia pode ser compreendido em diferentes dimensões:
- Continuidade da tradição familiar: ele deu sequência a uma linhagem de pecuaristas que começa com figuras como Braulino Basílio Maia Filho e Sebastião Ferreira Maia.
- Contribuição econômica: por meio de fazendas, empregos, circulação de gado e negócios ligados à cadeia da carne, ajudou a movimentar a economia regional.
- Representatividade para Araçatuba: seu nome está entre os que reforçam a identidade da cidade como polo agropecuário.
- Símbolo de uma era: representa a geração que viu a pecuária se modernizar, mas que trazia consigo as raízes do boiadeiro clássico, da lida no pasto e do conhecimento prático do campo.
Mais do que números, áreas de fazenda ou cabeças de gado, Garon Maia deixa uma memória ligada a valores muito presentes na cultura rural: trabalho, coragem, persistência e apego à terra.
Garon Maia na memória de Araçatuba
Ao registrar a história de Garon Maia em Memorias.me, o objetivo é preservar, para as novas gerações, o relato de um personagem que ajudou a escrever parte da história econômica e social de Araçatuba e de importantes regiões pecuárias do Brasil.
Sua trajetória se conecta à de tantos outros nomes que, ao lado da ferrovia, da abertura de fazendas e da instalação de indústrias como o antigo Frigorífico T. Maia, transformaram uma cidade do interior paulista em referência nacional na produção de gado e derivados.
Na memória da cidade, Garon Maia permanece como um dos representantes de uma família que fez da pecuária não apenas um negócio, mas um modo de vida.




















Trabalho com esta família, desde 1978.
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Fui até o velório deste grande homem que com certeza marcou a história de Araçatuba SP e todo Brasil, lá no seu velório deixei uma palavra de conforto para toda família e amigos que ali estavam prestando as últimas homenagens para este grande homem de guerra.
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GARON MAIA, FAMÍLIA TRADIÇÃO , NA PECUARIA E AGRONEGOCIO, AMIGO LUTOU INTENSAMENTE , MAS INFELIZMENTE A DOENCA, VENCEU, TODOS FICAMOS SENSIBILIZADOS COM SEU FALECIMENTO, TIVE O PRAZER DE CONHECELO EPOCAS VIVIDAS EM ARAÇATUBA, DESCANSE EM PAZ , GUERREIRO ,JUNTO AO PAI CELESTIAL.
Muito obrigado por compartilhar suas palavras tão emocionantes. O Garon Maia realmente deixou uma marca profunda em Araçatuba — pela força no trabalho, pela tradição familiar na pecuária e no agronegócio, e pela forma intensa e digna com que enfrentou a vida. Seu relato mostra o carinho e o respeito que ele inspirou em todos que o conheceram. Que sua memória siga trazendo conforto e que ele descanse em paz junto ao Pai Celestial. Agradecemos por dividir essa lembrança tão significativa conosco.