Genilson Senche nasceu em 19 de novembro de 1946, em Gracianópolis, hoje Tupi Paulista, no interior de São Paulo. Mudou-se ainda criança para Guararapes, onde completou o curso primário em 1958. De origem simples, enfrentou desde cedo as dificuldades que moldariam seu caráter determinado e visionário.
Na adolescência, já demonstrava liderança. Criou, em 1961, o movimento cultural e esportivo do Colégio Rui Barbosa, onde também fundou o jornal Tribuna Estudantil. No ano seguinte, publicou a revista com o mesmo nome como secretário-geral da União dos Estudantes Secundaristas de Araçatuba (Uesa).
Seu envolvimento com o ambiente estudantil se intensificou: de 1965 a 1967, dirigiu o grêmio do colégio D. Pedro II e publicou a revista D. Pedro II em Revista. Nesse mesmo período, lançou a revista Cinelândia, que marcaria sua primeira grande passagem pelo jornalismo.
Aos 19 anos, em 1965, ergueu o Monumento ao Estudante Brasileiro, na Praça Getúlio Vargas, em Araçatuba — um de seus primeiros atos públicos de impacto, lembrado até hoje.
Da juventude contestadora ao jornalismo profissional
Durante os anos de 1965 a 1969, Genilson comandou a revista Cinelândia, distribuída nos cinemas de Araçatuba. Inicialmente voltada para entretenimento, ele transformou a publicação em um espaço de crítica política e social, enfrentando inclusive processos judiciais posteriormente arquivados.
À frente da revista, introduziu reportagens engajadas e articuladas, tornando-se referência entre os jovens estudantes e intelectuais da cidade. Cinco anos depois, ao lado de Hélio Pereira de Souza, criou a revista Somos, de circulação regional e igualmente combativa.
Sua capacidade intelectual, oratória e senso crítico tornaram-se marcas registradas. Era reconhecido por colegas como um jovem obstinado, disciplinado e extremamente focado no trabalho, abrindo mão até mesmo de lazer para se dedicar a seus projetos.
Estudos, dificuldades e superação
Genilson enfrentou muitas barreiras para cursar o ensino superior. Sem condições financeiras, teve de entregar seus livros jurídicos ao reitor Antonio Eufrásio de Toledo para conseguir concluir a faculdade — volumes que permanecem até hoje no acervo da Instituição Toledo de Ensino de Bauru (ITE), em Bauru.
Formou-se em Pedagogia em 1971 e em Direito em 1972, destacando-se como aluno participativo e politizado.
Dividiu uma república estudantil em Bauru com jovens que mais tarde se tornariam advogados reconhecidos: Jair Belmiro Rocha, Habib Ghaname, Hélio Cerqueira Costa e Krikor Kaysserlian. Com eles, viveu parte das experiências que moldaram seu caráter e sua futura atuação política.
Ascensão política e liderança regional
Genilson Senche estreou na política em 1969, aos 22 anos, quando foi eleito vereador em Araçatuba com o maior índice proporcional de votos da história da cidade — recorde que permanece inédito.
Ao longo da vida pública:
- foi duas vezes candidato a prefeito,
- concorreu a deputado estadual e federal,
- foi diretor de departamentos estaduais,
- e ocupou a Secretaria Municipal de Cultura de Araçatuba (1989–1990).
Em 1976, ao lado de Alfredo Yarid Filho, disputou a vice-prefeitura. Em 1978, como candidato a deputado estadual, atuou também na Caixa Econômica Estadual e na CAIC (Companhia de Agricultura, Imigração e Colonização), ligado à Secretaria Estadual da Agricultura.
Sua liderança não se restringia a cargos: participava de debates, articulava movimentos sociais e era presença constante em discussões políticas de toda a região. Foi Secretário de Cultura de Araçatuba.
A construção da Folha da Região
O grande marco da trajetória profissional de Genilson Senche ocorreu em agosto de 1974, quando adquiriu o jornal Folha da Região, então uma publicação de infraestrutura modesta. Fundado em 11 de junho de 1972 por Antônio Barreto dos Santos, Luiz Gonzaga Deleteze e Odorindo Perenha (Ubirajara Lemos), o jornal ganhou novo impulso com a compra feita por Genilson, que utilizou, para parte do pagamento, terrenos recebidos em permuta por anúncios vendidos em suas revistas. A partir desse momento, iniciou-se um período de crescimento e consolidação da Folha da Região no cenário jornalístico local.
Sua visão empreendedora transformou o periódico em um dos mais modernos jornais do interior de São Paulo. Ele acompanhava cada departamento de perto, incentivava funcionários, modernizava tecnologias e criou uma cultura de jornalismo profissional e competitivo.
Em 2000, concretizou um sonho antigo ao adquirir o prédio do antigo do CESEC (Centro de Processamento de Serviços e Comunicações Araçatuba – Banco do Brasil), preparando novas instalações para a Folha da Região.
Reconhecimento, legado e falecimento
Genilson Senche faleceu em 7 de junho de 2001, aos 54 anos, vítima de câncer. Sua morte deixou uma lacuna profunda entre amigos, familiares, jornalistas, colaboradores e lideranças políticas de toda a região.
Sua trajetória é lembrada como exemplo de coragem, visão e dedicação ao desenvolvimento regional. Pessoas próximas — como Habib Ghaname, Jair Belmiro Rocha, Jorge Napoleão Xavier, Milton Pereira, José Adão Golo e tantos outros — destacam sua obstinação, inteligência estratégica, espírito crítico e caráter humanista.
Genilson é lembrado como:
- fundador e construtor da Folha da Região,
- líder político expressivo,
- defensor do desenvolvimento social e econômico,
- visionário que enxergava além do Baguaçu,
- e um dos personagens mais marcantes da história de Araçatuba.
Linha do tempo – Trajetória de Genilson Senche
- 1946 – Nascimento em Gracianópolis (Tupi Paulista)
- 1958 – Conclusão do curso primário em Guararapes
- 1961 – Fundação do movimento cultural Rui Barbosa e do Tribuna Estudantil
- 1965–1969 – Publicação da revista Cinelândia
- 1969 – Vereador mais votado da história de Araçatuba
- 1971–1972 – Formado em Pedagogia e Direito
- 1974 – Compra da Folha da Região
- 1976–1996 – Série de campanhas políticas e atuação pública
- 2000 – Compra do prédio do antigo CESEC
- 2001 – Falecimento aos 54 anos






















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