Luís Fernando de Arruda Ramos

por | 18/02/2026 | PERSONALIDADES | 0 Comentários

: trajetória do , empresário e líder político em

, conhecido como “Luís Fernando da Lomy”, foi civil, empresário da construção civil e liderança política de , no . Nascido em 1970, em , destacou-se pela fundação da , pela atuação na habitação popular em diversas cidades da região e pela candidatura à Prefeitura de em 2016. Morreu aos 47 anos, em 28 de maio de 2017, em acidente aéreo no município de Coxim-MS.

A trajetória de reúne origem simples, formação técnica sólida, expansão empresarial na construção de moradias populares, investimentos na hotelaria e agropecuária, além de participação ativa na vida política e comunitária de e do .

Origem familiar e primeiros anos em

nasceu em 1970, em , filho de  e . Cresceu em bairro de rua de terra, em ambiente familiar de classe média trabalhadora, com forte valorização da educação. O pai atuava como de , e a mãe, como do ensino fundamental, o que influenciou diretamente a disciplina de estudos e a preocupação com o futuro profissional.

Frequentou o ensino médio em escolas da cidade, entre elas o Colégio Ângulo, onde conheceu aquela que seria sua esposa, . Os dois estudaram na mesma turma do colegial, iniciaram o namoro no terceiro ano e consolidaram uma relação que o acompanharia por toda a vida adulta. O casal teve dois filhos, um menino, Lucas, e uma menina, Luísa.

Ainda na adolescência, Luís Fernando iniciou sua vida profissional. Aos 17 anos, trabalhou em uma papelaria no centro de , tirando cópias em máquina de xerox enquanto concluía o ensino médio. Esse primeiro emprego, simples, marcou sua postura de poupança e planejamento, pois ele destinava parte do salário à aplicação em caderneta de poupança na .

A primeira casa e a vocação para a engenharia

Com 17 anos, Luís Fernando concretizou o primeiro passo de sua futura trajetória na construção civil. Utilizando as economias do trabalho na papelaria e materiais reaproveitados da reforma da casa do sogro, construiu sua primeira casa popular em um terreno no bairro Umuarama, em .

O sogro, que reformava a residência da família na Rua Cussy de Almeida, permitiu que ele utilizasse telhas, janelas e outros materiais retirados da obra. Com isso, Luís Fernando ergueu uma pequena casa, simples, mas planejada, que funcionou como laboratório prático de engenharia e como base para sua escolha profissional definitiva.

Esse episódio aproximou ainda mais seu cotidiano da construção civil e consolidou a ideia de cursar , mesmo diante da expectativa do pai de que ele permanecesse em para estudar Direito na .

Estudos e trajetória em

Após o ensino médio, Luís Fernando mudou-se para a cidade de , ainda com 17 anos, para cursar Engenharia. Inicialmente, cogitou , influenciado pelo irmão, que já estudava na capital, mas optou por , em função da afinidade com construção e do vínculo criado com a primeira casa que havia erguido em Araçatuba.

A mudança representou uma ruptura emocional significativa com a família. Ele costumava relatar a dificuldade das despedidas na de Araçatuba e o impacto do momento em que o pai levou, em uma Kombi, os móveis que materializaram a transferência definitiva para .

Durante o período universitário, Luís Fernando conciliou diferentes atividades para complementar a renda familiar e custear os estudos. Entre essas atividades, destacam-se:

  • Estágio em empresa de engenharia, atuando em obras de alto padrão;
  • Plantões noturnos como porteiro no próprio prédio onde morava, em escala de folga do zelador;
  • Trabalho em oficina mecânica de um cunhado na Praça Dom Pedro, reformando carros para revenda em feirões de fim de semana.

O estágio remunerado foi realizado na empresa , especializada em empreendimentos de alto padrão em bairros como Perdizes e Itaim, na capital paulista. Nessa construtora, participou de projetos de edifícios residenciais para clientes de grande porte econômico, como empresários ligados à regional, à rede Zelo e à indústria . A experiência em obras sofisticadas ampliou sua visão técnica, organizacional e financeira da construção civil.

Ao longo de aproximadamente 13 anos em , Luís Fernando concluiu a graduação, estruturou a vida conjugal, acompanhou a carreira bancária da esposa — que se transferiu do de Araçatuba para a função de gerente na Avenida Paulista — e amadureceu o projeto de, em algum momento, retornar a Araçatuba.

Fundação da e início da trajetória empresarial

A fase empreendedora começou em abril de 2000, com a criação da , em , em sociedade. A empresa iniciou de forma modesta, sem sede fixa, com a documentação guardada no porta-malas de um Uno cedido pelo pai de um dos sócios, realizando reformas em apartamentos e escritórios até alugar uma sala no bairro do Paraíso. Desde o início, Luís Fernando tinha o plano de acumular experiência na capital e, no momento oportuno, transferir a empresa para Araçatuba, onde pretendia criar os filhos e atuar no mercado imobiliário regional.

Retorno a Araçatuba, expansão no e Minha Casa, Minha Vida

O retorno efetivo a Araçatuba ocorreu por volta de 2001, quando Luís Fernando direcionou o foco da para o interior, motivado pelo menor custo dos terrenos, pela demanda reprimida por moradias populares e pela possibilidade de empreender em escala com habitação financiada. As primeiras obras foram três casas no bairro Nova York e dez na , que já seguiam o modelo de conjuntos financiados, integrados ao tecido urbano e voltados a famílias de baixa e média renda. Com a expansão contínua, a empresa tornou-se uma das principais construtoras da região e, em 2016, passou a integrar o ranking ITC entre as 70 maiores construtoras do .

A atuação de Luís Fernando consolidou-se na habitação popular ligada ao programa Minha Casa, Minha Vida, voltado a famílias de zero a dez salários mínimos. Ele destacava que o programa facilitou a composição de renda, ampliou prazos, reduziu juros, simplificou a comprovação de renda e concentrou na construtora quase todo o trâmite, deixando ao mutuário basicamente a assinatura no banco. Em Araçatuba, de cerca de 2.000 casas do programa, aproximadamente 1.500 foram construídas pela . No , a empresa executou centenas de unidades em , Dracena, Assis, e outros municípios, somando milhares de moradias, além de empreendimentos como o Residencial Beatriz, com 472 unidades na região do bairro São José.

Urbanismo, vazios urbanos e impacto na malha da cidade

Um aspecto marcante da atuação de Luís Fernando foi a prioridade em ocupar vazios urbanos, evitando empurrar conjuntos habitacionais para áreas periféricas isoladas. A buscava terrenos bem localizados, próximos a polos de emprego e serviços, como o e Residencial , e em bairros com grandes glebas ociosas entre loteamentos implantados. O , atrás do Residencial , tornou-se referência: antes com características rurais e pastagens, passou a contar com cerca de mil casas habitadas, integrando-se de forma mais orgânica à cidade.

Na visão de Luís Fernando, cada conjunto habitacional bem planejado resolvia três problemas ao mesmo tempo: o do empreendedor, que obtinha retorno financeiro; o da cidade, que preenchia vazios urbanos e aproveitava melhor a infraestrutura; e o do mutuário, que deixava o aluguel para morar em casa própria bem localizada. Esse modelo ajudou a redesenhar trechos do perímetro urbano de Araçatuba e de outras cidades do , ampliando o acesso à moradia e fortalecendo o mercado regional da construção civil.

Diversificação: hotelaria e agropecuária

Além da construção civil, Luís Fernando diversificou seus investimentos em Araçatuba e em outros estados. No setor de hotelaria, adquiriu e iniciou a revitalização do tradicional , no centro de Araçatuba, considerado um dos primeiros hotéis da cidade. O projeto incluía reforma profunda e ampliação, preservando a localização central e ressignificando o edifício como empreendimento moderno.

Posteriormente, também assumiu o , reforçando a presença do grupo no segmento de hospedagem e contribuindo para a requalificação da região central.

Na agropecuária, mantinha fazendas e propriedades rurais em diferentes pontos do país, como:

  • Propriedade em Porto Esperidião- MT;
  • Área rural na região de Camapuã- MS;
  • Sítios e fazendas na região de  e arredores de Araçatuba.

Essas atividades incluíam criação de gado e produção agropecuária, complementando a base econômica vinculada à construção civil.

Perfil pessoal, gestão e relação com colaboradores

Em depoimentos e entrevistas, destacava alguns traços pessoais que orientavam sua conduta:

  • Lealdade nas relações profissionais e políticas;
  • Presença constante nos canteiros de obra, supervisionando diretamente as atividades;
  • Celular ligado permanentemente, com esforço para retorno de ligações de clientes e parceiros;
  • Postura de proximidade com funcionários, considerando-se “mais pai do que patrão”.

Reconhecia, por outro lado, a ansiedade como um de seus defeitos, especialmente ligada à busca por resultados rápidos. Em relação à vida pessoal, demonstrava forte apego à família e declarava arrependimento por, em certos períodos, ter passado menos tempo com os filhos e a esposa, em razão do ritmo intenso de trabalho.

Como pai, participava ativamente do cotidiano, acordando o filho Lucas, preparando o café da manhã, levando-o à escola e acompanhando sua rotina. Em relação à filha Luísa, ainda bebê à época da entrevista, compartilhava os cuidados com a mãe, Rogéria.

Participação política e candidatura em Araçatuba

A atuação política de Luís Fernando teve início ainda na juventude, em ambientes estudantis, como diretórios, centros acadêmicos e comissões de formatura. Posteriormente, integrou conselhos municipais e participou do  (), fortalecendo sua inserção institucional.

Em Araçatuba, filiou-se ao PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) e tornou-se presidente municipal da legenda. A partir dessa posição, passou a ser cotado para compor chapas nas eleições locais.

Nas Eleições Municipais de 2016, candidatou-se a  pelo PTB. No pleito, obteve 37.787 votos, equivalentes a 38,69% dos votos válidos, ficando em segundo lugar. O eleito foi  (PSDB), com 58.190 votos.

Antes da definição da candidatura própria, Luís Fernando participou de negociações entre PT e PTB que previam, em nível estadual, composição de chapa com indicado pelo PTB. Nessa conjuntura, chegou a ser apontado como pré-candidato a na chapa de Cido Sério (PT), mas, diante da ausência de formalização do acordo, consolidou a candidatura majoritária pelo próprio partido.

Em entrevistas, defendia como principais eixos de um eventual governo municipal:

  • Desburocratização da máquina pública;
  • Agilidade na análise de projetos e processos;
  • Governança baseada em ética e legalidade;
  • Fortalecimento da união regional entre cidades do .

Mesmo após a derrota eleitoral, manteve diálogo institucional com a administração eleita. Em 2017, participou de eventos públicos ao lado do prefeito , como a entrega de unidades habitacionais do Residencial Porto Real 2, quando foi elogiado por mutuários e reconheceu o apoio da nova gestão aos empreendimentos iniciados.

O acidente aéreo em Coxim-MS

A trajetória de foi interrompida de forma abrupta em 28 de maio de 2017, um domingo. Na data, ele retornava de uma de suas fazendas em Porto Esperidião-MT para Araçatuba, a bordo de um avião bimotor Piper Aircraft, modelo PA-34-220T Seneca V, prefixo PT-WPD, ano 1998.

A aeronave, com capacidade para dois tripulantes e quatro passageiros, decolou por volta das 9h30 (horário local, 10h30 em Brasília). O voo seguia em direção ao interior paulista quando, sobre a região de Coxim-MS, testemunhas relataram ter ouvido um barulho incomum e visto o avião voando baixo.

A queda ocorreu em área rural da Fazenda Siriema, a cerca de 25 quilômetros da área urbana de Coxim-MS. Segundo o Corpo de Bombeiros local, o chamado foi registrado às 11h47. O bimotor teria atingido árvores durante tentativa de pouso de emergência, caiu e pegou fogo, ficando completamente destruído. Os dois ocupantes morreram carbonizados.

As vítimas foram:

Documentos encontrados entre os destroços auxiliaram na identificação inicial. O  () enviou equipe para apurar as causas do acidente. À época, as reportagens indicavam que a aeronave estava regularizada junto à  (), com Certificado de Aeronavegabilidade válido até 20 de julho de 2017 e Inspeção Anual Mecânica com vencimento em 30 de março de 2018.

Luto em Araçatuba e reconhecimento regional

A notícia da morte de teve ampla repercussão em Araçatuba e no . Na noite do próprio domingo, a assessoria da divulgou nota oficial informando o falecimento do empresário e do piloto Fábio Pinho, com detalhes sobre o voo, o acidente e os procedimentos de velório e sepultamento.

O prefeito  decretou luto oficial de três dias em Araçatuba. As repartições públicas mantiveram o expediente normal, mas as bandeiras foram hasteadas a meio mastro. Em nota, o chefe do Executivo municipal afirmou que “Araçatuba perdeu um grande empresário”, ressaltando que se tratava de um homem jovem, com grandes projetos para a cidade.

A então vice-  também manifestou pesar, expressando solidariedade à família. Prefeitos e lideranças de outras cidades da região, como , divulgaram mensagens destacando o papel de Luís Fernando na construção civil regional, sua visão otimista e a capacidade de motivar equipes de trabalho.

O velório de Luís Fernando ocorreu na , na Rua Euclides da Cunha, 2.415, em Araçatuba, com grande presença de familiares, amigos, funcionários e moradores beneficiados pelos empreendimentos habitacionais. O piloto Fábio Pinho foi velado na , na Avenida Saudade, 701. Ambos foram sepultados no , em Araçatuba, em 29 de maio de 2017.

Posteriormente, a propôs denominar um residencial habitacional do programa estadual Nossa Casa com o nome de , como forma de homenagear sua contribuição ao setor de moradia popular e à cidade.

Legado para Araçatuba e o

O legado de  em Araçatuba e na região do se manifesta em diferentes dimensões. Na construção civil, sua atuação à frente da  ampliou de maneira expressiva a oferta de moradias populares financiadas, com milhares de unidades em Araçatuba, , , Dracena, Assis e outros municípios.

No urbanismo, seus projetos ocuparam vazios urbanos estratégicos, integrando novos bairros à malha já existente e aproximando famílias de serviços, empregos e equipamentos públicos. Na economia local, a empresa gerou postos de trabalho diretos e indiretos em canteiros de obras, escritórios técnicos, comércio de materiais e serviços associados.

Na esfera pública, sua candidatura à em 2016 e a atuação como presidente do PTB municipal inseriram sua figura no debate sobre desenvolvimento urbano, habitação, gestão pública e integração regional, reforçando a presença de empresários locais na política institucional.

A vida de , iniciada em 1970 em Araçatuba e encerrada em 28 de maio de 2017, em Coxim-MS, permanece ligada à história recente da cidade e do , sobretudo pela combinação entre empreendedorismo na habitação popular, investimentos na requalificação urbana e participação ativa na vida pública regional.

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *