Munir Tahane Andraus foi um dos comerciantes mais queridos de Araçatuba, reconhecido pela Loja Casa Verde e pela Madeireira Brasil, estabelecimentos que marcaram gerações e ajudaram a construir a memória econômica e afetiva da cidade.
A vida de Munir se entrelaça diretamente com o desenvolvimento social e comercial de Araçatuba. Filho de imigrantes sírios, cresceu em uma família tradicional que sempre cultivou valores como ética, dedicação e hospitalidade. Sua atuação no comércio, no convívio com a comunidade e no Araçatuba Clube deixou marcas profundas que ainda são lembradas por amigos, clientes e antigos funcionários.
Munir Tahane Andraus: a trajetória de um comerciante marcante na história de Araçatuba.
Origens da família Andraus e primeiros anos
Nascido em 30 de janeiro de 1941, Munir Tahane Andraus era filho de Ida Andraus e Taane Andraus, que deixaram a Síria em busca de novas oportunidades e se estabeleceram em Araçatuba. Dois de seus irmãos, Elias Andraus Neto e Caram Andraus, nasceram na Síria e vieram pequenos para o Brasil, enquanto os demais — Munira Andraus Carretta, Samira Andraus Abud, João Tahane Elias Andraus e o próprio Munir — nasceram já em Araçatuba.
Ele era o mais novo de seis irmãos. Segundo vários relatos preservados por quem conviveu com a família, os irmãos Andraus eram muito admirados pela postura elegante, pela educação e pela dedicação ao trabalho.
A Casa Verde e o marco no comércio local
Primeiramente instalada na Praça Rui Barbosa, no local onde hoje funciona a Loja Riachuelo, a Casa Verde se transformou referência regional em roupas masculinas. A loja nasceu com os irmãos Elias e Caram, passando depois para Munir Tahane Andraus e seu irmão João Tahane Elias Andraus. Mais tarde, Munir assumiu a condução sozinho até o encerramento das atividades.
Posteriormente, já instalada na Rua Duque de Caxias — onde atualmente funciona a Loja Magazine Luiza — a Casa Verde viveu uma fase memorável, marcada pelo atendimento impecável que se tornou tradição. Muitos frequentadores da época descrevem o ambiente como um verdadeiro ponto de encontro da cidade.
Relatos preservados ajudam a compreender a relevância da loja:
• Emilio Gottardi Neto recorda ter feito camisas e calças na Casa Verde desde a década de 1960, destacando Munir como “super simpático” e lembrando que era “uma época jóia de Araçatuba”.
• Juliano Parolo descreve Munir como um amigo querido, com quem conversava nos bancos da Praça Rui Barbosa.
• Juvenal Alves e Carlos Roberto Albanezi Ramos lembram dos funcionários Daud, Emilio e Valdir, conhecidos pela atenção e dedicação, seguindo o exemplo de Munir.
• Nice Lima contou que foi vendedora da loja e que “vendeu muito terno ali, onde hoje é a Loja Riachuelo“.
Essas memórias resgatam a atmosfera do comércio tradicional, quando atendimento e confiança eram os maiores ativos de um estabelecimento.



Madeireira Brasil e a atuação no setor rural
Além do comércio de roupas, Munir Tahane Andraus também foi proprietário da Madeireira Brasil, localizada na Avenida Brasília, em frente à lateral da Receita Federal de Araçatuba, instalada em terreno pertencente a João Rezek. A empresa era especializada em produtos de aroeira — mourões, lascas e madeiras utilizadas por fazendas da região.
Vários depoimentos reforçam o quanto Munir dominava o ramo:
• Juvenal Paziam recorda que aprendeu com ele o teste do copo d’água para identificar aroeira de qualidade.
Essa atuação diversificada consolidou Munir como um comerciante versátil e respeitado.
Vida pessoal, família e vínculos comunitários
Munir casou-se com Helci Luiza Paganini de Mattos Andraus, nascida em 18 de agosto de 1946 e falecida em 6 de janeiro de 2016. Ela era filha de Eduardo Luiz de Mattos e Maria Paganini de Mattos, família originária de Bauru-SP, além de irmã de Helcio Luiz Paganini de Mattos.
Eles tiveram duas filhas:
• Isabel Maria de Mattos Andraus
• Ida Maria de Mattos Andraus
Segundo muitos conhecidos, Munir e Helci formavam um casal admirado pela elegância, educação e pelo carinho que transmitiam. As famílias Andraus e Mattos tinham forte presença na vida social e cultivavam laços duradouros com inúmeros amigos da cidade.


Participação no Araçatuba Clube e atuação comunitária
Além do comércio, Munir teve atuação expressiva na vida social de Araçatuba. Ele foi presidente do Araçatuba Clube e se dedicou intensamente à manutenção e ao desenvolvimento do Araçatuba Clube de Campo. Amigos que frequentavam o ambiente na época lembram com carinho sua presença e empenho nas atividades da instituição.
Reconhecimento, amizades e relatos marcantes
Ao longo da vida, Munir acumulou inúmeras amizades. Muitos depoimentos preservados mostram o quanto ele era querido, confiável e generoso.
Alguns dos relatos mais marcantes:
• João Do Pote, ao inaugurar o Banco Nacional em 1976, dependia de Munir para obter informações cadastrais. Ele descreve Munir como seu “alento”, lembrando da frase bem-humorada: “Pau na máquina!”.
• Walter Aguiar afirma que Munir era “sempre muito educado e ético, um grande homem”.
• Marcos Gomes Guimarães relata que seu pai João Gomes Guimarães era muito amigo de Munir, reforçando o apreço da comunidade.
• Muitos amigos de infância, ex-colegas do Colégio Salesiano, do Tiro de Guerra e do Ginásio Joaquim Dibo também deixaram lembranças carregadas de saudade.
Esses testemunhos, então, ajudam a desenhar o perfil de um homem acessível, carismático e sempre disposto a ajudar.
A despedida precoce de Munir Tahane Andraus
Munir faleceu em 8 de abril de 1998, aos 57 anos. De acordo com relatos familiares, ele enfrentou um tumor no cerebelo, passou por cirurgia em São Paulo e, posteriormente, contraiu uma infecção hospitalar, não resistindo às complicações.
A notícia sensibilizou profundamente a comunidade. Muitos só souberam anos depois e expressaram surpresa pela perda tão precoce. Até hoje, amigos e ex-funcionários relembram sua postura firme, sua elegância e o carinho que tinham por ele.
Memórias e legado na história de Araçatuba
Em resumo, a história de Munir Tahane Andraus segue viva na memória coletiva de Araçatuba. Sua trajetória mistura empreendedorismo, dedicação, generosidade e uma forma muito humana de se relacionar com as pessoas. A Casa Verde e a Madeireira Brasil representam capítulos importantes da economia local, mas sua maior marca permanece sendo o afeto e o respeito que conquistou.
As lembranças partilhadas por quem conviveu com ele mostram que Munir deixou uma herança de simplicidade elegante, bom humor e compromisso com o trabalho. Seu nome continua sendo citado com carinho por antigos clientes, amigos, vizinhos e colegas de infância, que revivem histórias que ajudam a preservar sua importância para a cidade.


























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