Sidney Cinti

por | 20/01/2026 | PREFEITOS | 0 Comentários

: o “Prefeitão” que ajudou a redesenhar o Centro de

foi uma das figuras mais populares da política de -SP, lembrado tanto pelo calçadão do Centro quanto por uma trajetória que passou pela Câmara Municipal de e pela Assembleia Legislativa de .

Nascido em Araraquara-SP, no dia 14 de julho de 1946, mudou-se ainda criança para e, a partir de uma infância de trabalho precoce, construiu uma carreira pública marcada por ações de forte impacto urbano, embates políticos e presença constante nos debates da cidade, além de atuar também como e defensor das rádios comunitárias.

Infância, família e trabalho desde cedo

Filho de e , Sidney tinha 6 anos quando a família se mudou para . O pai era conhecido como “pedreiro dos bons”, enquanto a mãe trabalhava como lavadeira. O casal teve 12 filhos: José, Cláudio, Sidney, Elza, Nelson, Rinaldo, Sueli, Fátima, Sílvio, Cláudia, Ronaldo e André.

Desde pequeno, começou a trabalhar para ajudar em casa. Ainda aos 6 anos, vendia o sabão que a mãe fazia para conseguir renda extra e, depois, também atuou como engraxate e vendeu bananas. Mais tarde, já adulto, tornou-se representante comercial autônomo, profissão da qual dizia ter orgulho porque, segundo ele, “nunca precisou depender da política”. Nesse período, mantinha uma empresa do ramo no .

Na vida pessoal, foi casado duas vezes e teve seis filhos.

O começo da vida pública: voluntariado e campanha pelo Asilo São Vicente

A entrada de na vida pública começou na década de 1970, quando participou como voluntário de um grupo que ajudava o Asilo São . Em 1974, ele tinha um programa de rádio e, comovido com falecimentos de idosos atribuídos à precariedade das instalações, liderou uma campanha para arrecadar recursos e construir um novo asilo.

Na prática, a mobilização envolvia doações de animais, que eram leiloados, e o dinheiro obtido era direcionado para a obra. Assim, a ação social ampliou sua visibilidade e, ao mesmo tempo, abriu caminho para o convite que viria na sequência.

Primeiro mandato como vereador e projetos citados por ele

Em 1976, conforme contou em entrevista à TV , Sidney foi vender bolachas na Cooperativa de Consumo dos Servidores Públicos Municipais de () quando recebeu o convite para se candidatar a vereador. Ele aceitou entrar na disputa mesmo dizendo que, na época, não sabia exatamente o que um vereador fazia e nem mesmo onde ficava a sede da Câmara Municipal de .

No mesmo ano, foi eleito vereador pela primeira vez para a legislatura 1977–1983, com mais de seis mil votos — votação que ele afirmava, em entrevistas, ter sido a maior da história de até então. Entre os projetos que destacava, havia uma lei de sua autoria que autorizava o Poder Executivo a contratar como servidores 5% de pessoas com deficiência física e visual na Prefeitura. A lei foi sancionada pelo então prefeito , porém, segundo Sidney, “ficou na gaveta”.

Prefeitura de e o calçadão que virou cartão de visita do Centro

Em 15 de novembro de 1982, foi eleito prefeito de para um mandato previsto de seis anos (1983 a 1988). Ele era conhecido pelos apelidos de “Prefeitão” e “Gordo”, e chegou a relatar que pesava 160 quilos. Logo que assumiu, dizia ter colocado em prática a própria lei aprovada quando vereador, com a contratação de pessoas com deficiência, e afirmava que a medida acabou inspirando mudanças que mais tarde viraram lei federal.

Ainda assim, a obra mais associada ao seu nome é a construção do , formado pelas ruas Marechal Deodoro e Princesa Isabel. Segundo ele, o objetivo era atrair pessoas da região e gerar mais empregos. No entanto, o início da obra se tornou uma história repetida por muitos: diante de protestos de comerciantes, que temiam prejuízos, Sidney decidiu iniciar a retirada do asfalto no final da noite de um domingo, o que provocou forte resistência e até ameaças de morte. Em entrevista, afirmou que ele mesmo dirigiu a retroescavadeira que deu início aos trabalhos. Depois de pronto, o calçadão se consolidou como principal corredor comercial do Centro.

Em outra declaração pública, Sidney também afirmou que, para ele, sua maior obra como prefeito foi “acabar com problemas de falta de água em çatuba”. Nesse contexto, citou a construção de um poço profundo no Bairro Ipanema, que teria custado três milhões de dólares na época, com recursos repassados por convênio durante o governo de .

Renúncia em 30 de abril de 1986 e o debate público da época

renunciou ao mandato de prefeito no dia 30 de abril de 1986. Em entrevistas, alegou que sempre foi contra um mandato de seis anos e que teria combinado com o vice que governaria por quatro anos e depois renunciaria, permitindo que o assumisse pelos dois anos restantes — e, por isso, disse ter cumprido o acordo “como homem de palavra”.

Já a imprensa da época sustentou que a renúncia ocorreu para evitar cassação, por conta de supostas irregularidades envolvendo a compra de uma residência entre as ruas Francisco Braga e Liberdade, ao lado do que hoje é o Complexo Esportivo de çatuba. O assunto rendeu debates intensos na Câmara, especialmente entre os vereadores (oposição) e (situação).

Sidney sempre negou essa versão. Em sua explicação, o então (), autarquia responsável pelo serviço, teria sido condenado a ressarcir o dono do imóvel por causa de uma infiltração. Para ele, a irregularidade estaria no valor pago, acima do mercado e sem concorrência pública.

Folha da Região - cassação Cinti
renunciou ao mandato de prefeito no dia 30 de abril de 1986.

Retorno à Câmara e presidência no biênio 1989/1990

retornou à Câmara Municipal entre 1989 e 1992. Nesse período, ocupou a presidência do Legislativo no biênio 1989/1990, fase em que foi elaborada a Lei Orgânica do Município, marco importante para a organização institucional de çatuba.

Mais tarde, nas eleições de 1º de outubro de 2000, foi eleito vereador pela terceira vez, integrando a legislatura de 2001 a 2004. Depois, não conseguiu se reeleger.

: eleição em 1994 e atuação na

Nas eleições de 3 de outubro de 1994, foi eleito , com 27.432 votos, e assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado de em 15 de março de 1995, durante a 13ª Legislatura (1995–1999).

Durante o mandato, foi membro efetivo das comissões permanentes de Economia e Planejamento, e Fiscalização e Controle, além de suplente na Comissão de Constituição, Justiça e Redação. Em seguida, concorreu à no pleito de 4 de outubro de 1998, mas não obteve êxito, deixando o Legislativo paulista ao término do mandato, em 14 de março de 1999.

Rádios comunitárias, TV a cabo, livro e palestras

Além da política institucional, Sidney Cinti também atuou como e se tornou defensor das rádios comunitárias, que, segundo ele, beneficiavam pequenos comerciantes. Quando foi , promoveu o primeiro encontro das rádios livres comunitárias na Assembleia.

Fora de mandatos, apresentou o programa “Tá Combinado” na — expressão que acabou virando bordão de campanha. Ainda como deputado, foi responsável por criar uma emenda que obriga a disponibilização de sinais para TVs legislativa, comunitária e universitária em emissoras de TV a cabo.

Nos anos seguintes, lançou o livro “Vereador do 3ª Milênio”, escrito em parceria com o amigo . Depois disso, ambos também atuaram como palestrantes em diversas cidades do país, com foco em formação e orientação para candidatos a prefeito e vereador.

Disputas eleitorais posteriores, paixões e últimos anos

Sidney também disputou eleições para e tentou retornar à em outras oportunidades, sem sucesso. Em 2012, concorreu novamente ao cargo de prefeito, mas não se elegeu.

Fora do campo eleitoral, mantinha um vínculo afetivo forte com a cidade e dizia ser torcedor da (), que definia como sua terceira paixão, atrás apenas da família e de çatuba.

Nos últimos anos, trabalhava em -SP e pensava em disputar mais uma vez uma cadeira na Câmara Municipal em 2016. No entanto, devido a problemas pulmonares, foi internado no e faleceu 20 dias depois, em 8 de junho de 2016, aos 69 anos. O velório foi realizado na , e o sepultamento ocorreu em 9 de junho de 2016, às 17h, no Cemitério da Saudade çatuba.

Em 3 de julho de 2018, o município inaugurou a , no , como homenagem à sua memória.

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *