Chico Xavier recebe título de cidadão araçatubense e reforça vínculo histórico com Araçatuba-SP
Chico Xavier recebe título de cidadão araçatubense em um momento marcante da história de Araçatuba-SP e do movimento espírita no Noroeste Paulista, consolidando o reconhecimento público ao médium Francisco Cândido Xavier e aproximando a cidade de Uberaba-MG por meio de vínculos religiosos, culturais e afetivos.
Este texto baseia-se em trecho da obra “Chico Xavier – O homem, a obra e as repercussões”, de Antonio Cesar Perri de Carvalho, complementado por informações biográficas gerais sobre o médium.
Chico Xavier recebe título de cidadão araçatubense: contexto e relevância
Chico Xavier recebe título de cidadão araçatubense em 1975, por iniciativa da Câmara Municipal de Araçatuba, que aprova o Decreto Legislativo nº 8, de 25 de junho de 1975, concedendo a honraria ao médium Francisco Cândido Xavier pelos serviços prestados ao povo brasileiro e pela projeção nacional de sua atuação como referência do espiritismo. A proposição parte do vereador Antônio Saraiva, que apresenta o projeto de concessão do título de “cidadão araçatubense” ao médium, então já amplamente conhecido em todo o país.
Naquele período, no início da década de 1970, diversas Câmaras Municipais e Assembleias Legislativas concediam títulos de cidadania a Chico Xavier. As sessões solenes reuniam autoridades, lideranças religiosas e a imprensa, ampliando a visibilidade do espiritismo e favorecendo a divulgação de suas ideias em diferentes regiões. Araçatuba-SP insere-se nesse movimento nacional e estabelece um capítulo singular nessa trajetória ao reconhecer formalmente o médium como parte de sua comunidade.
Francisco Cândido Xavier: trajetória do médium homenageado
Francisco Cândido Xavier nasceu em 02 de abril de 1910, em Pedro Leopoldo-MG, filho de João Cândido Xavier e Maria João de Deus. Órfão de mãe ainda criança, passou por dificuldades materiais e começou a trabalhar cedo. Ainda na juventude, segundo registros biográficos, relata experiências mediúnicas que o aproximam do espiritismo e o conduzem à atuação em centros espíritas de sua cidade natal.
Em 1932, Chico Xavier lança seu primeiro livro psicografado, “Parnaso de Além-Túmulo”, inaugurando uma vasta produção literária mediúnica. Ao longo da vida, atribui a autores espirituais diversos centenas de obras que abordam temas como consolo aos enlutados, ética cristã, espiritualidade, responsabilidade moral e caridade.
Em 1959, o médium transfere-se para Uberaba-MG, onde passa a atuar no Grupo Espírita da Prece. A partir dessa fase, sua figura se projeta ainda mais no cenário nacional, com intensa procura de pessoas em busca de orientação espiritual e mensagens de familiares desencarnados. A presença frequente na mídia amplia a notoriedade de Chico Xavier e reforça seu papel no movimento espírita brasileiro.
Chico Xavier falece em 30 de junho de 2002, em Uberaba-MG, aos 92 anos. Sua trajetória influencia profundamente o espiritismo no Brasil e cria conexões com diversas cidades, entre elas Araçatuba-SP, que reconhece oficialmente sua importância ao conceder-lhe o título de cidadão araçatubense.
A aproximação entre Chico Xavier e Araçatuba-SP
Antes mesmo da concessão formal do título de cidadania, lideranças espíritas de Araçatuba-SP já buscavam fortalecer o vínculo com Chico Xavier. A então União Municipal Espírita de Araçatuba, órgão ligado à União das Sociedades Espíritas (USE), tinha como presidente Antonio Cesar Perri de Carvalho, que mantinha contato frequente com o médium por meio de correspondência.
Ainda em 1974, surge a proposta de realizar uma tarde de autógrafos de livros psicografados por Chico Xavier em Araçatuba. Em carta datada de 02 de dezembro de 1974, enviada de Uberaba-MG, o médium manifesta alegria com a ideia e afirma que a “tarde de livros” na “bela cidade de Araçatuba” permanece como um plano a ser realizado em momento oportuno. Essa correspondência demonstra o interesse de Chico Xavier em se aproximar da comunidade araçatubense e reforça a relação amistosa com o movimento espírita local.
Paralelamente, tramita na Câmara Municipal o projeto de concessão do título de cidadão araçatubense. Em 30 de junho de 1975, o médium registra em carta a surpresa e a comoção ao receber a notícia da honraria, agradecendo ao vereador proponente Antônio Saraiva e às lideranças espíritas de Araçatuba, especialmente a Antonio Cesar Perri de Carvalho, que atua como intermediário entre o homenageado e o Legislativo municipal.
A concessão do título de cidadão araçatubense
O título de cidadão araçatubense concedido a Chico Xavier tem base no Decreto Legislativo nº 8, de 25 de junho de 1975, aprovado pela Câmara de Vereadores de Araçatuba. O texto legislativo destaca a relevância dos serviços prestados pelo médium em favor do povo brasileiro e o impacto de sua atuação espiritual e humanitária.
O vereador Antônio Saraiva, autor da proposta, conduz a iniciativa de forma espontânea, sem solicitação expressa do movimento espírita local. A Câmara Municipal comunica oficialmente Chico Xavier sobre a concessão do título, e Antonio Cesar Perri de Carvalho, como presidente da União Municipal Espírita de Araçatuba, participa ativamente do processo, levando e trazendo informações, encaminhando correspondências e articulando as agendas relacionadas à homenagem.
Em 08 de fevereiro de 1976, Chico Xavier escreve nova carta, na qual se declara “preparando-se para nascer araçatubense” e reforça o interesse pelos assuntos da cidade. Na mesma correspondência, ele pede a Jesus que lhe permita estar em Araçatuba na data prevista para a sessão solene de entrega do diploma de cidadania.
Tentativas de realização da solenidade em Araçatuba
A partir de 1975, lideranças políticas e espíritas de Araçatuba intensificam os esforços para organizar uma sessão solene de entrega do título de cidadão araçatubense a Chico Xavier em plenário, com a presença do homenageado. Em 08 de agosto de 1976, o médium sugere, em carta, a data de 29 de novembro, uma segunda-feira, para a cerimônia, de forma a aproximar a solenidade das comemorações do aniversário do município, sem interferir nas programações oficiais de aniversário.
Entretanto, duas semanas antes da data prevista, ocorre um fato decisivo: Chico Xavier sofre um enfarte em Uberaba-MG. O senhor Weaker Batista comunica o episódio por telefone a Antonio Cesar Perri de Carvalho e informa que encaminhará atestado médico. A Câmara Municipal de Araçatuba recebe o documento, e as autoridades suspendem a sessão solene programada para a entrega do título.
Em 12 de dezembro de 1976, o médium envia um bilhete aos amigos de Araçatuba, no qual lamenta não ter condições físicas de viajar, agradece a compreensão e relata que se encontra em recuperação, ainda em processo de restabelecimento após o problema cardíaco.
A caravana de Araçatuba a Uberaba e a mensagem à cidade
Apesar da suspensão da solenidade oficial, as lideranças políticas de Araçatuba-SP não desistem de concretizar a homenagem. Em maio de 1977, o prefeito de Araçatuba, doutor Oscar Gurjão Cotrim, simpatizante do espiritismo, organiza e lidera uma caravana até Uberaba-MG.
Participam da comitiva:
- Oscar Gurjão Cotrim, prefeito de Araçatuba
- Antônio Saraiva, vereador autor do projeto do título
- Álvaro Rodrigues, liderança local
- Hermógenes Turrini, representante da comunidade araçatubense
A caravana visita o Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, onde Chico Xavier atua. No encontro, o médium dirige-se diretamente à população de Araçatuba por meio de gravação em áudio, posteriormente divulgada por rádios locais e transcrita pelos jornais “Tribuna da Noroeste” e “A Comarca” em 30 de maio de 1977.
Na mensagem, Chico Xavier manifesta profunda gratidão a Araçatuba, exalta a cidade como lugar de bondade e gentileza e afirma que recebe o título em homenagem aos espíritas cristãos e à comunidade em geral. Ele destaca o papel do prefeito Oscar Gurjão Cotrim, do vereador Antônio Saraiva, de Antonio Cesar Perri de Carvalho e de sua esposa Célia, bem como das autoridades municipais e dos espíritas da cidade, reafirmando o desejo de visitar Araçatuba assim que sua saúde permitir.


Limitações de saúde e desdobramentos posteriores
Nos anos seguintes, o estado de saúde de Chico Xavier torna-se fator determinante para sua participação em eventos públicos. Em visita realizada ao Grupo Espírita da Prece, em novembro de 1983, Antonio Cesar Perri de Carvalho recebe do próprio médium a informação de que a Câmara de Vereadores de Araçatuba deseja marcar nova data para a solenidade formal de entrega do título.
Chico Xavier explica que, seguindo orientação médica, não pode mais se deslocar para solenidades e precisa suspender, em definitivo, sua presença em sessões públicas de concessão de títulos honoríficos. Em razão dessa limitação, a Câmara de Araçatuba autoriza que representantes do município realizem a entrega do diploma em Uberaba, fora de uma sessão solene em plenário.
Esse procedimento, segundo o registro da memória política local, constitui uma exceção na história da edilidade araçatubense. Ainda assim, a medida garante que o título de cidadão araçatubense chegue efetivamente às mãos de Chico Xavier, consolidando o ato legislativo e preservando o vínculo institucional entre o médium e a cidade.
Impacto para Araçatuba-SP e para o Noroeste Paulista
O episódio em que Chico Xavier recebe título de cidadão araçatubense ultrapassa o âmbito de uma homenagem individual e dialoga com a história cultural, religiosa e institucional de Araçatuba-SP e do Noroeste Paulista.
A concessão do título reforça o papel da Câmara Municipal como espaço de reconhecimento de personalidades nacionais que influenciam a formação moral e espiritual da sociedade. Além disso, evidencia a presença ativa do movimento espírita na região, representado por instituições como a União Municipal Espírita de Araçatuba e por lideranças como Antonio Cesar Perri de Carvalho.
Ao mesmo tempo, o vínculo simbólico com Chico Xavier projeta Araçatuba em um circuito mais amplo de cidades brasileiras ligadas ao espiritismo, como Pedro Leopoldo e Uberaba, aproximando o município de debates sobre solidariedade, ética e religiosidade que marcaram a atuação pública do médium.
Por fim, o processo histórico de concessão do título, as tentativas de solenidade, a caravana a Uberaba e a entrega excepcional do diploma ilustram a persistência das autoridades locais em assegurar o reconhecimento formal ao homenageado, mesmo diante de limitações de saúde e de distância geográfica. Esse conjunto de fatos integra a memória política e religiosa da cidade, preservada como referência histórica para Araçatuba e para todo o Noroeste Paulista.



























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