Alcides Mazzini

por Marco Cenci | 27/04/2026 | PERSONALIDADES | 4 comentários

Alcides Mazzini, conhecido como Cid Mazzini, foi jornalista, músico, professor, radialista e pesquisador da memória que marcou profundamente a história cultural de Araçatuba-SP, especialmente por sua atuação na comunicação, na música e na preservação de acervos históricos da cidade e da região Noroeste Paulista.
Foto: IA Memórias.me

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em : vida, obra e legado

(1946–2014) integrou uma geração de agentes culturais que ajudou a construir a identidade de a partir da música, do jornalismo, da educação e da preservação da memória. Ao longo de décadas, atuou em rádio, imprensa, universidade, projetos culturais e iniciativas de acervo histórico, tornando-se referência quando o assunto era a história da comunicação e da produção musical na região .

Desde jovem, demonstrou interesse simultâneo por cultura, comunicação e tecnologia do som. Essa combinação o levou a formar bandas, criar programas de rádio, escrever em jornais, coordenar projetos universitários e reunir acervos de discos, equipamentos e publicações. Assim, construiu uma trajetória que uniu prática artística, atuação profissional e preservação da memória.

Origens, juventude e primeiros passos na música

Alcides Mazzini nasceu em 1946, em , e cresceu em um contexto em que o rádio, os discos de vinil e as primeiras televisões começavam a transformar hábitos culturais no interior paulista. Nesse ambiente, ele desenvolveu sensibilidade musical e curiosidade por equipamentos de som, o que mais tarde se tornaria uma marca de sua vida.

Durante os anos 1960, Mazzini integrou o grupo musical “Os Milionários”, experiência que consolidou sua atuação como músico e intérprete na cena local. Nesse período, participou de apresentações, consolidou parcerias e ampliou seu repertório, especialmente ligado à música popular brasileira e aos clássicos internacionais.

Mais tarde, já adulto, participou do grupo musical Corda e Voz ao lado de , reforçando sua presença na cena cultural de . Nos anos 2000, gravou um CD em parceria com o músico , em que atuou como compositor e intérprete, registrando em estúdio parte de sua produção musical.

Jornalismo, rádio e comunicação em

A carreira de Alcides Mazzini na comunicação se consolidou em diferentes frentes. Como , colaborou com veículos de imprensa da cidade, destacando-se como articulista do jornal de , onde abordou temas culturais, históricos e de interesse público, sempre atento às transformações urbanas e sociais.

No rádio, Mazzini se tornou uma voz reconhecida pelos ouvintes da Rádio Cultura FM de . Apresentou o programa “”, em que unia música, entrevistas e relatos, e também comandou o programa “” aos domingos, construindo uma curadoria musical que mesclava MPB, clássicos internacionais e memórias da cidade. Nesses espaços, valorizou artistas locais, relembrou histórias de bastidores e aproximou o público da riqueza cultural da região .

Sua atuação radiofônica se caracterizou pela combinação entre pesquisa, seleção musical cuidadosa e narrativa informativa, o que reforçou sua imagem como profundo conhecedor da música brasileira e estrangeira.

Atuação acadêmica e contribuição ao de

Na área acadêmica, Alcides Mazzini teve participação relevante no -SP. Desde maio de 2005, exerceu a função de diretor do Departamento de Comunicação da instituição, atuando na construção da imagem institucional e na articulação com a comunidade.

Além disso, coordenou a Universidade Aberta da Melhor Idade (UNA) em Araçatuba-SP, iniciativa voltada à educação continuada de pessoas idosas. Nessa função, promoveu atividades formativas, culturais e de integração social, evidenciando seu compromisso com a educação ao longo da vida.

Mazzini também integrou o conselho editorial da revista Universitas, publicação do que registrou pesquisas, artigos e reflexões acadêmicas. Como músico e compositor, assinou letra, melodia e harmonia do hino oficial do , consolidando um vínculo simbólico com a instituição e com a comunidade acadêmica.

Fanzines, quadrinhos e cultura de colecionismo

Além da atuação no jornalismo e na música, Alcides Mazzini desenvolveu um trabalho pioneiro no campo dos fanzines e das histórias em quadrinhos. Criou o fanzine Gibiteca, publicação que circulou entre colecionadores e entusiastas e que mais tarde recebeu referências em espaços especializados, como a Quadrinhopédia e a Enciclopédia dos Quadrinhos.

Esse trabalho como fanzineiro ajudou a conectar leitores em uma época anterior à internet, em que a circulação de informações dependia de redes impressas e correspondência. Mazzini reuniu, ao longo de décadas, um acervo que incluía gibis, jornais, revistas e materiais raros, além de discos de 78 rotações e edições das décadas de 1930 a 1960.

Esse perfil de colecionador organizado e atento à preservação de documentos culturais foi fundamental para a construção posterior de acervos públicos e para a própria concepção do museu que leva seu nome.

-SP (MUSICAM)

Um dos principais marcos da trajetória de Alcides Mazzini foi a idealização do , o MUSICAM. Instalado na -SP, na Rua Joaquim Nabuco, 143, o espaço surgiu do esforço de Mazzini em reunir, preservar e expor a história do rádio, da televisão, da fotografia e de outros meios de comunicação na cidade.

Mazzini reuniu pessoalmente grande parte do acervo, composto por equipamentos de som, aparelhos de rádio e TV, discos, fitas, microfones, fotografias, publicações e objetos relacionados à história da comunicação local. Esse trabalho sistemático de coleta e catalogação transformou um acervo privado em patrimônio de interesse público.

A criação do MUSICAM contou com o apoio da , entidade da qual Alcides Mazzini fez parte. Após sua morte, o município oficializou o espaço como Museu do Som, Imagem e Comunicação “Alcides Mazzini”, em homenagem ao idealizador. Parte importante do acervo foi doada pela família, incluindo equipamentos e registros que ele reuniu ao longo da vida.

Projetos, exposições e circulação do acervo

Além do museu, o acervo reunido por Alcides Mazzini deu origem a exposições e ações culturais em diferentes espaços de Araçatuba-SP. Peças de comunicação, equipamentos históricos, discos e materiais gráficos provenientes de sua coleção foram exibidos em locais como o Poupatempo de Araçatuba-SP, aproximando o público da história do rádio, da música e da comunicação.

Antes de falecer, Mazzini desenvolvia um projeto de livro sobre a história musical de Araçatuba-SP, com foco nas bandas, grupos e movimentos culturais que marcaram o século XX na cidade. Embora o projeto tenha permanecido inacabado, ele indica o alcance de sua atuação como pesquisador e a preocupação em transformar memória oral e documental em registro histórico estruturado.

Em 1995, Alcides Mazzini também fundou uma empresa em seu nome voltada ao comércio de eletrodomésticos e equipamentos de áudio e vídeo. Essa iniciativa empresarial dialogava com sua afinidade técnica por aparelhos de som, comunicação e gravação, e reforçava sua relação com a tecnologia aplicada à cultura.

Datas marcantes e momentos decisivos

Algumas datas se destacam na trajetória de Alcides Mazzini em Araçatuba-SP e na região :

  • 1946 – Nascimento de Alcides Mazzini em Araçatuba-SP.
  • Década de 1960 – Atuação no grupo musical “Os Milionários”.
  • Anos 2000 – Gravação de CD em parceria com o músico .
  • Maio de 2005 – Início da atuação como diretor do Departamento de Comunicação do -SP.
  • 10 de fevereiro de 2014 – Falecimento de Alcides Mazzini, aos 67 anos, em decorrência de complicações de dengue.
  • 2014 – Oficialização do Museu do Som, Imagem e Comunicação “Alcides Mazzini” (MUSICAM), na -SP, com acervo formado em grande parte por materiais reunidos por ele.

Esses marcos permitem visualizar a continuidade de uma trajetória que articulou música, comunicação, ensino e preservação da memória.

Personagens e instituições associadas à trajetória de Alcides Mazzini

Diversos nomes e instituições aparecem ligados à vida de Alcides Mazzini e ajudam a entender o alcance de sua atuação em Araçatuba-SP:

Essas conexões evidenciam o diálogo constante de Mazzini com a comunidade acadêmica, a imprensa, o setor cultural e a sociedade civil organizada.

Impacto cultural de Alcides Mazzini para Araçatuba-SP e

O impacto de Alcides Mazzini para Araçatuba-SP e para a região se manifesta em diferentes dimensões. Na música, contribuiu para a formação de grupos, para a difusão de repertórios e para o registro fonográfico de sua produção. No rádio e no jornalismo, ofereceu conteúdo que valorizou a história local, ressaltou artistas e reforçou a identidade regional.

Na educação, sua atuação no -SP e na Universidade Aberta da Melhor Idade ampliou o acesso à formação cultural, especialmente para o público idoso. No campo da memória, a criação do Museu do Som, Imagem e Comunicação “Alcides Mazzini” fortaleceu a preservação de acervos que contam a trajetória da comunicação e da cultura na cidade.

Ao reunir equipamentos, discos, publicações e documentos, Mazzini evitou a dispersão de materiais que hoje servem de fonte para pesquisadores, estudantes e interessados na história da região. Sua atuação como fanzineiro e colecionador também contribuiu para a preservação de histórias em quadrinhos, fanzines e impressos de circulação limitada, muitas vezes ausentes de acervos institucionais.

A memória de Alcides Mazzini permanece vinculada ao MUSICAM, ao hino do , aos programas de rádio que apresentou e às iniciativas culturais que ajudou a impulsionar. Seu nome está incorporado à história cultural de Araçatuba-SP como referência de dedicação à arte, à comunicação e à preservação da memória regional.

4 Comentários

  1. Ivana Mazzini Silva

    Meu tio, amor eterno, saudades sem fim…

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    • Marco Cenci

      Muito obrigado por compartilhar esse sentimento tão profundo. É tocante ver o amor e a saudade que ele deixou na família — sinais de uma vida que marcou e permanece viva no coração de todos que o amaram. Agradecemos por dividir essa lembrança conosco; mensagens como a sua tornam esta homenagem ainda mais especial.

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  2. Aparecida Mazzini

    Ao longo de mais de 40 anos (entre namoro e casamento) tivemos uma convivência diária que me mostrou o ser humano maravilhoso que eu tinha ao meu lado. Dotado de uma sensibilidade ímpar, seu olhar era voltado para as artes e cultura de modo geral, mas a música tinha um espaço especial, pois, segundo ele, não sobreviveria sem ouvi-la, analisando os acordes dos instrumentos e as vozes e interpretações dos cantores.
    Tinha um olhar voltado para o passado e sempre procurou preservar tudo que fizesse parte da história e evolução das artes, dos meios de comunicação.
    Além de tudo, era uma pessoa muito simples e humilde que, procurava destacar as qualidades do próximo, em detrimento, muitas vezes de suas próprias.
    Muita saudade!

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    • Marco Cenci

      Que relato bonito e tão cheio de verdade. Fica claro, em cada palavra, o quanto ele foi especial não só pelo talento e sensibilidade, mas principalmente pelo ser humano generoso e atento que era. Essa capacidade de valorizar o outro e de enxergar a beleza nas artes e na vida é algo raro e admirável.

      Sem dúvida, ele deixou um legado que vai muito além daquilo que fez — permanece na memória, nos registros que preservou e, principalmente, nas pessoas que tiveram o privilégio de conviver com ele. Sua saudade é compreensível, mas também é a prova do amor e da história tão rica que vocês construíram juntos.

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