Alcides Mazzini: trajetória do jornalista, músico e guardião da memória em Araçatuba-SP
Alcides Mazzini, conhecido como Cid Mazzini, foi jornalista, músico, professor, radialista e pesquisador da memória que marcou profundamente a história cultural de Araçatuba-SP, especialmente por sua atuação na comunicação, na música e na preservação de acervos históricos da cidade e da região Noroeste Paulista.
Alcides Mazzini em Araçatuba-SP: vida, obra e legado
Alcides Mazzini (1946–2014) integrou uma geração de agentes culturais que ajudou a construir a identidade de Araçatuba-SP a partir da música, do jornalismo, da educação e da preservação da memória. Ao longo de décadas, atuou em rádio, imprensa, universidade, projetos culturais e iniciativas de acervo histórico, tornando-se referência quando o assunto era a história da comunicação e da produção musical na região Noroeste Paulista.
Desde jovem, Alcides Mazzini demonstrou interesse simultâneo por cultura, comunicação e tecnologia do som. Essa combinação o levou a formar bandas, criar programas de rádio, escrever em jornais, coordenar projetos universitários e reunir acervos de discos, equipamentos e publicações. Assim, construiu uma trajetória que uniu prática artística, atuação profissional e preservação da memória.
Origens, juventude e primeiros passos na música
Alcides Mazzini nasceu em 1946, em Araçatuba-SP, e cresceu em um contexto em que o rádio, os discos de vinil e as primeiras televisões começavam a transformar hábitos culturais no interior paulista. Nesse ambiente, ele desenvolveu sensibilidade musical e curiosidade por equipamentos de som, o que mais tarde se tornaria uma marca de sua vida.
Durante os anos 1960, Mazzini integrou o grupo musical “Os Milionários”, experiência que consolidou sua atuação como músico e intérprete na cena local. Nesse período, participou de apresentações, consolidou parcerias e ampliou seu repertório, especialmente ligado à música popular brasileira e aos clássicos internacionais.
Mais tarde, já adulto, participou do grupo musical Corda e Voz ao lado de Júnior Milanez, reforçando sua presença na cena cultural de Araçatuba-SP. Nos anos 2000, gravou um CD em parceria com o músico Marcelo Amorin, em que atuou como compositor e intérprete, registrando em estúdio parte de sua produção musical.
Jornalismo, rádio e comunicação em Araçatuba-SP
A carreira de Alcides Mazzini na comunicação se consolidou em diferentes frentes. Como jornalista, colaborou com veículos de imprensa da cidade, destacando-se como articulista do jornal Folha da Região de Araçatuba-SP, onde abordou temas culturais, históricos e de interesse público, sempre atento às transformações urbanas e sociais.
No rádio, Mazzini se tornou uma voz reconhecida pelos ouvintes da Rádio Cultura FM de Araçatuba-SP. Apresentou o programa “Viva o Sábado”, em que unia música, entrevistas e relatos, e também comandou o programa “Cid Mazzini” aos domingos, construindo uma curadoria musical que mesclava MPB, clássicos internacionais e memórias da cidade. Nesses espaços, valorizou artistas locais, relembrou histórias de bastidores e aproximou o público da riqueza cultural da região Noroeste Paulista.
Sua atuação radiofônica se caracterizou pela combinação entre pesquisa, seleção musical cuidadosa e narrativa informativa, o que reforçou sua imagem como profundo conhecedor da música brasileira e estrangeira.



Atuação acadêmica e contribuição ao UniSALESIANO de Araçatuba-SP
Na área acadêmica, Alcides Mazzini teve participação relevante no UniSALESIANO de Araçatuba-SP. Desde maio de 2005, exerceu a função de diretor do Departamento de Comunicação da instituição, atuando na construção da imagem institucional e na articulação com a comunidade.
Além disso, coordenou a Universidade Aberta da Melhor Idade (UNA) em Araçatuba-SP, iniciativa voltada à educação continuada de pessoas idosas. Nessa função, promoveu atividades formativas, culturais e de integração social, evidenciando seu compromisso com a educação ao longo da vida.
Mazzini também integrou o conselho editorial da revista Universitas, publicação do UniSALESIANO que registrou pesquisas, artigos e reflexões acadêmicas. Como músico e compositor, assinou letra, melodia e harmonia do hino oficial do UniSALESIANO, consolidando um vínculo simbólico com a instituição e com a comunidade acadêmica.
Fanzines, quadrinhos e cultura de colecionismo
Além da atuação no jornalismo e na música, Alcides Mazzini desenvolveu um trabalho pioneiro no campo dos fanzines e das histórias em quadrinhos. Criou o fanzine Gibiteca, publicação que circulou entre colecionadores e entusiastas e que mais tarde recebeu referências em espaços especializados, como a Quadrinhopédia e a Enciclopédia dos Quadrinhos.
Esse trabalho como fanzineiro ajudou a conectar leitores em uma época anterior à internet, em que a circulação de informações dependia de redes impressas e correspondência. Mazzini reuniu, ao longo de décadas, um acervo que incluía gibis, jornais, revistas e materiais raros, além de discos de 78 rotações e edições das décadas de 1930 a 1960.
Esse perfil de colecionador organizado e atento à preservação de documentos culturais foi fundamental para a construção posterior de acervos públicos e para a própria concepção do museu que leva seu nome.
Museu do Som, Imagem e Comunicação de Araçatuba-SP (MUSICAM)
Um dos principais marcos da trajetória de Alcides Mazzini foi a idealização do Museu do Som, Imagem e Comunicação de Araçatuba, o MUSICAM. Instalado na Vila Ferroviária de Araçatuba-SP, na Rua Joaquim Nabuco, 143, o espaço surgiu do esforço de Mazzini em reunir, preservar e expor a história do rádio, da televisão, da fotografia e de outros meios de comunicação na cidade.
Mazzini reuniu pessoalmente grande parte do acervo, composto por equipamentos de som, aparelhos de rádio e TV, discos, fitas, microfones, fotografias, publicações e objetos relacionados à história da comunicação local. Esse trabalho sistemático de coleta e catalogação transformou um acervo privado em patrimônio de interesse público.
A criação do MUSICAM contou com o apoio da Associação Cultural Amigos da Memória Histórica de Araçatuba, entidade da qual Alcides Mazzini fez parte. Após sua morte, o município oficializou o espaço como Museu do Som, Imagem e Comunicação “Alcides Mazzini”, em homenagem ao idealizador. Parte importante do acervo foi doada pela família, incluindo equipamentos e registros que ele reuniu ao longo da vida.
Projetos, exposições e circulação do acervo
Além do museu, o acervo reunido por Alcides Mazzini deu origem a exposições e ações culturais em diferentes espaços de Araçatuba-SP. Peças de comunicação, equipamentos históricos, discos e materiais gráficos provenientes de sua coleção foram exibidos em locais como o Poupatempo de Araçatuba-SP, aproximando o público da história do rádio, da música e da comunicação.
Antes de falecer, Mazzini desenvolvia um projeto de livro sobre a história musical de Araçatuba-SP, com foco nas bandas, grupos e movimentos culturais que marcaram o século XX na cidade. Embora o projeto tenha permanecido inacabado, ele indica o alcance de sua atuação como pesquisador e a preocupação em transformar memória oral e documental em registro histórico estruturado.
Em 1995, Alcides Mazzini também fundou uma empresa em seu nome voltada ao comércio de eletrodomésticos e equipamentos de áudio e vídeo. Essa iniciativa empresarial dialogava com sua afinidade técnica por aparelhos de som, comunicação e gravação, e reforçava sua relação com a tecnologia aplicada à cultura.
Datas marcantes e momentos decisivos
Algumas datas se destacam na trajetória de Alcides Mazzini em Araçatuba-SP e na região Noroeste Paulista:
- 1946 – Nascimento de Alcides Mazzini em Araçatuba-SP.
- Década de 1960 – Atuação no grupo musical “Os Milionários”.
- Anos 2000 – Gravação de CD em parceria com o músico Marcelo Amorin.
- Maio de 2005 – Início da atuação como diretor do Departamento de Comunicação do UniSALESIANO de Araçatuba-SP.
- 10 de fevereiro de 2014 – Falecimento de Alcides Mazzini, aos 67 anos, em decorrência de complicações de dengue.
- 2014 – Oficialização do Museu do Som, Imagem e Comunicação “Alcides Mazzini” (MUSICAM), na Vila Ferroviária de Araçatuba-SP, com acervo formado em grande parte por materiais reunidos por ele.
Esses marcos permitem visualizar a continuidade de uma trajetória que articulou música, comunicação, ensino e preservação da memória.
Personagens e instituições associadas à trajetória de Alcides Mazzini
Diversos nomes e instituições aparecem ligados à vida de Alcides Mazzini e ajudam a entender o alcance de sua atuação em Araçatuba-SP:
- Júnior Milanez, parceiro musical no grupo Corda e Voz.
- Marcelo Amorin, músico com quem Mazzini gravou CD nos anos 2000.
- UniSALESIANO de Araçatuba-SP, instituição em que atuou como diretor de comunicação, coordenador da Universidade Aberta da Melhor Idade e autor do hino oficial.
- Revista Universitas, publicação da qual integrou o conselho editorial.
- Rádio Cultura FM de Araçatuba-SP, emissora em que apresentou programas como “Viva o Sábado” e “Cid Mazzini”.
- Jornal Folha da Região de Araçatuba-SP, veículo no qual atuou como articulista.
- Associação Cultural Amigos da Memória Histórica de Araçatuba, grupo que apoiou o MUSICAM e continuou a preservar o acervo reunido por ele.
Essas conexões evidenciam o diálogo constante de Mazzini com a comunidade acadêmica, a imprensa, o setor cultural e a sociedade civil organizada.
Impacto cultural de Alcides Mazzini para Araçatuba-SP e Noroeste Paulista
O impacto de Alcides Mazzini para Araçatuba-SP e para a região Noroeste Paulista se manifesta em diferentes dimensões. Na música, contribuiu para a formação de grupos, para a difusão de repertórios e para o registro fonográfico de sua produção. No rádio e no jornalismo, ofereceu conteúdo que valorizou a história local, ressaltou artistas e reforçou a identidade regional.
Na educação, sua atuação no UniSALESIANO de Araçatuba-SP e na Universidade Aberta da Melhor Idade ampliou o acesso à formação cultural, especialmente para o público idoso. No campo da memória, a criação do Museu do Som, Imagem e Comunicação “Alcides Mazzini” fortaleceu a preservação de acervos que contam a trajetória da comunicação e da cultura na cidade.
Ao reunir equipamentos, discos, publicações e documentos, Mazzini evitou a dispersão de materiais que hoje servem de fonte para pesquisadores, estudantes e interessados na história da região. Sua atuação como fanzineiro e colecionador também contribuiu para a preservação de histórias em quadrinhos, fanzines e impressos de circulação limitada, muitas vezes ausentes de acervos institucionais.
A memória de Alcides Mazzini permanece vinculada ao MUSICAM, ao hino do UniSALESIANO, aos programas de rádio que apresentou e às iniciativas culturais que ajudou a impulsionar. Seu nome está incorporado à história cultural de Araçatuba-SP como referência de dedicação à arte, à comunicação e à preservação da memória regional.





















Meu tio, amor eterno, saudades sem fim…
Muito obrigado por compartilhar esse sentimento tão profundo. É tocante ver o amor e a saudade que ele deixou na família — sinais de uma vida que marcou e permanece viva no coração de todos que o amaram. Agradecemos por dividir essa lembrança conosco; mensagens como a sua tornam esta homenagem ainda mais especial.
Ao longo de mais de 40 anos (entre namoro e casamento) tivemos uma convivência diária que me mostrou o ser humano maravilhoso que eu tinha ao meu lado. Dotado de uma sensibilidade ímpar, seu olhar era voltado para as artes e cultura de modo geral, mas a música tinha um espaço especial, pois, segundo ele, não sobreviveria sem ouvi-la, analisando os acordes dos instrumentos e as vozes e interpretações dos cantores.
Tinha um olhar voltado para o passado e sempre procurou preservar tudo que fizesse parte da história e evolução das artes, dos meios de comunicação.
Além de tudo, era uma pessoa muito simples e humilde que, procurava destacar as qualidades do próximo, em detrimento, muitas vezes de suas próprias.
Muita saudade!
Que relato bonito e tão cheio de verdade. Fica claro, em cada palavra, o quanto ele foi especial não só pelo talento e sensibilidade, mas principalmente pelo ser humano generoso e atento que era. Essa capacidade de valorizar o outro e de enxergar a beleza nas artes e na vida é algo raro e admirável.
Sem dúvida, ele deixou um legado que vai muito além daquilo que fez — permanece na memória, nos registros que preservou e, principalmente, nas pessoas que tiveram o privilégio de conviver com ele. Sua saudade é compreensível, mas também é a prova do amor e da história tão rica que vocês construíram juntos.