Therezinha de Faria Maluly foi uma das figuras mais queridas e influentes da história social e cultural de Araçatuba. Sua trajetória uniu educação, assistência social, preservação da memória e dedicação comunitária, construindo um legado que ainda inspira moradores, lideranças e instituições da região. Reconhecida por sua sensibilidade, firmeza e generosidade, ela se tornou um exemplo de serviço público desempenhado com humanidade, acolhimento e profundo compromisso com o próximo.
Origem, família e formação
Therezinha Costa Faria Maluly nasceu em 22 de abril de 1935, em Guararapes-SP, em uma família que valorizava o conhecimento, o serviço público e o compromisso com a comunidade. Filha de Maria de Lourdes Costa de Faria e do médico Oswaldo Brandi de Faria — primeiro prefeito de Guararapes-SP, Cafelândia-SP e Mirandópolis-SP — cresceu observando exemplos de liderança e responsabilidade social que influenciaram sua formação pessoal e profissional.
Formou-se em Pedagogia e iniciou sua carreira como professora, aplicando uma abordagem centrada no aluno. Estimulava a curiosidade, o senso crítico e a autonomia, construindo relações sólidas com seus alunos. Muitos deles a lembram como uma educadora apaixonada, que ultrapassava o currículo tradicional para garantir que cada estudante tivesse condições de alcançar seu potencial.
Casamento e atuação ao lado de Jorge Maluly Netto
Ainda jovem, casou-se com o médico e político Jorge Maluly Netto, que viria a exercer mandatos como deputado estadual, deputado federal e prefeito de Araçatuba por dois períodos, além de atuar como Secretário Estadual das Relações do Trabalho. Ao lado dele, Therezinha assumiu o papel de primeira-dama em Mirandópolis e depois em Araçatuba, sempre com envolvimento direto nas demandas sociais e culturais.
Sua atuação nesse período foi marcada por iniciativas de apoio às famílias vulneráveis, ações culturais e aproximação da população com projetos comunitários. Conversava com moradores, dialogava com lideranças e participava ativamente da construção de soluções coletivas, sempre buscando estreitar vínculos e fortalecer redes de solidariedade.
Trabalho na assistência social
Entre 2001 e 2008, Therezinha assumiu a Secretaria Municipal de Assistência Social de Araçatuba, período em que ficou conhecida carinhosamente como a “mãezona” da cidade. Sua gestão foi marcada pela criação de hortas comunitárias, campanhas de arrecadação, distribuição de brinquedos e apoio constante ao Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo.
Participou também da Liga das Senhoras da Sociedade Ortodoxa e da entidade Lareira, fortalecendo ações voltadas ao acolhimento, à inclusão social e ao desenvolvimento de famílias em situação de vulnerabilidade.
A preservação da memória e a contribuição cultural
Além de sua atuação na educação e na assistência social, Therezinha deixou uma contribuição fundamental para a cultura aracatubense ao fundar o Museu Histórico de Araçatuba. Dedicou-se a reunir documentos, objetos, registros e histórias que representam a formação e a transformação da cidade. Sua casa tornou-se ponto de encontro para debates sobre política, cultura e educação, sempre marcada por sua postura acolhedora e seu interesse genuíno pelos rumos da comunidade.
Falecimento e legado
Therezinha faleceu em 11 de julho de 2020, aos 85 anos, após sofrer um AVC enquanto tomava café da manhã em sua residência no Condomínio dos Araçás. A família a socorreu e a levou ao Hospital Unimed, mas ela não resistiu. Foi sepultada no Memorial Laluce, ao lado do marido, falecido em 2012. Por conta das restrições impostas pela Pandemia de Covid-19 , o velório ocorreu de forma limitada.
Deixou três filhos — Tânia, Jorginho e Mônica — além de netos, bisnetos e um legado de dedicação à educação, à cultura e à assistência social. Sua história continua presente na memória da cidade e nas instituições que ajudou a fortalecer.


























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