Casamento Pavan & Saran: amor e legado em Araçatuba. Recebemos um verdadeiro tesouro da memória araçatubense: a fotografia de O casamento de Angelina Maria Pavan e José Saran, celebrado em 5 de novembro de 1921, segue lembrado como um símbolo da Araçatuba pioneira e das famílias que ajudaram a formar a cidade.
A história chegou ao presente por meio de um recorte preservado do jornal A Comarca, datado de 5 de novembro de 1971, guardado por Jacira Saran Denofre, filha do casal. Naquele texto, uma “Crônica da Coluna” relembra o enlace e comemora as bodas de ouro, descrevendo emoções, contexto e, sobretudo, o sentido coletivo que aquela união ganhou ao longo do tempo em Araçatuba.
A cerimônia em 1921, na capela do povoado
Em 5 de novembro de 1921, a “pequena capela do recém-formado povoado de Araçatuba” recebeu pioneiros para uma cerimônia que, à primeira vista, poderia ser considerada comum. No entanto, a crônica preservada faz questão de afirmar que não se tratava de “um simples casamento”, porque unia duas famílias descritas como fundamentais naquele começo: Pavan e Saran.
Dessa forma, o registro trata a data como um marco que ultrapassa a vida privada. A narrativa aponta que aquele dia representaria o início de um tronco familiar que se expandiria por descendentes e manteria, em suas próprias palavras, “o amor à terra” com os olhos voltados para o futuro.
José Saran: nascimento, origem e chegada a Araçatuba
Segundo a crônica do recorte, José Saran nasceu em 12 de maio de 1896, na localidade de Jardinópolis. Ainda assim, o texto sugere que, mesmo com uma infância tranquila, ele sentia a necessidade de buscar novas terras e trabalhar no avanço do Oeste paulista, que então se abria para o desenvolvimento.
Em seguida, o relato fixa dois momentos importantes ligados a Araçatuba. Primeiramente, menciona que ele teria adquirido uma área de terra em 1911, quando a cidade “nascia”. Depois, destaca o dia 29 de junho de 1913, quando teria pisado pela primeira vez em solo araçatubense, “de onde nunca mais sairia”. A partir daí, o texto rememora as “primeiras lutas” e “derrubadas” para o amanho da terra, compondo a imagem do pioneiro que cria raízes.
Angelina Maria Pavan: nascimento, família e o cotidiano da Araçatuba pioneira
A crônica registra que Angelina Maria Pavan nasceu em 10 de julho de 1902. Ao reconstituir seus pensamentos durante a cerimônia, o texto apresenta uma vida ligada ao cotidiano rural e às exigências da época, quando o povoado ainda enfrentava condições duras para se manter.
Por exemplo, a narrativa menciona as dificuldades das primeiras plantações e episódios de doenças e epidemias que atingiam os colonos. Além disso, descreve Angelina como alguém que ajudava na lavoura e que, quando necessário, atuava como enfermeira. O recorte também informa sua filiação, identificando-a como filha de Antonio Pavan e D. Rosa Saran Pavan.
O “sim” de 1921: o casamento Pavan & Saran na crônica
Ao descrever a cerimônia, o texto preservado dá tom poético e íntimo ao momento. Enquanto o padre conduzia o rito em latim, a crônica observa que José não compreendia literalmente a língua, mas, ainda assim, percebia a alegria do instante. Ao mesmo tempo, a narrativa alterna a lembrança dos caminhos percorridos pelos noivos até chegarem àquele “sim”.
No trecho central, o celebrante identifica os noivos e suas famílias, registrando também os pais de José: Antonio Saran e D. Maria Rosane. Em seguida, a crônica relembra as respostas — o “Sim! Aceito…” atribuído a Angelina e o “Sim!” firme atribuído a José — e finaliza a cena com a comemoração dos presentes, fixando novamente a data: 5 de novembro de 1921.
1971: bodas de ouro e a cidade transformada
Em 5 de novembro de 1971, cinquenta anos depois, a crônica faz um contraste direto entre o povoado de 1921 e a Araçatuba que se consolidou. Assim, menciona que a terra cedeu espaço ao asfalto, que casas simples deram lugar a construções maiores e que os cavalos foram substituídos por automóveis, sinais de modernização e crescimento.
Apesar disso, o texto insiste que o “espírito de pioneirismo” teria permanecido como marca da cidade. Nesse cenário, a celebração das bodas de ouro aparece ligada principalmente à família formada: a crônica descreve uma “enorme legião de filhos e netos” como o maior presente daquele casamento e como continuidade do legado Pavan & Saran em Araçatuba.
Filhos de Angelina Maria Pavan e José Saran
Conforme os dados preservados no material enviado, Angelina Maria Pavan e José Saran tiveram sete filhos:
- Helena Saran Caparroz
- Jayme Saran
- Aparecida Maria Saran
- Jacira Saran Denofre
- Claudemiro Saran
- Waldomiro Saran
- Orides Gentil Saran
A mensagem que atravessou gerações
Entre as passagens mais lembradas do recorte, há uma frase de gratidão que resume o tom da crônica e a forma como a união foi celebrada ao longo do tempo. Em síntese, o texto transforma o aniversário do casamento em uma memória de fé, família e permanência:
“OBRIGADO SENHOR! OBRIGADO PELA NOSSA UNIÃO! OBRIGADO PELOS FILHOS QUE TEMOS! OBRIGADO, MUITO OBRIGADO PELA FELICIDADE QUE JAMAIS NOS FALTOU.”






Leia o texto original
05 de novembro de 1921! A pequena capela do recém-formado povoado recebia os pioneiros para um casamento. Para muitos, um fato comum, corriqueiro mesmo, Porém, para o futuro, para aqueles que olhavam o progresso da cidade, a união entre as duas famílias representava muito. Não! Não se tratava de um simples casamento, embora à primeira vista, pudesse ser visto como tal. Isto porque duas famílias pioneiras iam se unir: Pavan e Saran!
Por isto, o dia 05 de novembro de 1921 não representava uma simples data no calendário do tempo. Representava o alicerce de um clã que estenderia os seus ramos, através dos seus descendentes, visando o amor à terra com as vistas voltadas para o futuro.
Defronte ao celebrante do enlace matrimonial, sob a imponência litúrgica do momento, o seus pensamentos voltaram ao passado. Nascera no dia 12 de maio do ano de 1896 na localidade de Jardinópolis, onde passara u’a meninice tranquila. Mas, embora igual a tantos meninos, com suas peraltices e traquinagens, sentia a necessidade de buscar outras terras, de trabalhar, de ajudar na construção do imenso país que buscava no Oeste do Estado de S. Paulo, a sua redenção, a sua procura pelo desenvolvimento. Lembrou-se do ainda perto ano de 1911 quando adquiriu uma área de terra na cidade que nascia e que havia recebido por nome: Araçatuba. Seus pensamentos evoluíram no tempo e recordou-se, perfeitamente bem, do dia 29 de junho de 1913 quando pela primeira vez pisou em solo araçatubense de onde nunca mais sairia. E naquele dia, naquele momento, ainda rememorou as primeiras lutas, as primeiras derrubadas para o amanho da terra que ja aprendera a amar.
E agora ali estava. Ao seu lado aquela que escolhera para ser a sua companheira, a moça que correspondera aos seus olhares de jovem apaixonado. A frente se encontrava o padre
falando. Literalmente, ele não entendia nada daquela língua, o Latim. Mas, pela expressão de alegria e contentamento sentia que uma grande parte de sua vida estava sendo concretizada.Ela também não se encontrava em atitude meramente passiva ouvindo o Padre falar. Seus pensamentos também regrediam no tempo e lembrava-se da data do seu nascimento: 10 de julho de 1902. Sua vida também tinha sido normal. As traquinagens comuns a u’a menina daquela época já tão distante. Não compreendia bem aquelas dificuldades iniciais de Araçatuba pioneira. As lutas contra os índios — os donos de terra. As imensas dificuldades para as primeiras plantações, as doenças que dizimavam os primeiros colonos. Mas, já menina ajudava mo trabalho da lavoura, fazia vezes de enfermeira quando graves epidemias tomavam os pioneiros e chegava mesmo a segurar em armas na defesa do patrimônio tão duramente conquistado pelos seus pais. Numa dessas oportunidades, Ele e Ela cruzaram os olhos e o amor nasceu…
Acordou de seu devaneio quando o Padre dizia: — Senhorita Angelina Pavan! Filha de Antonio Pavan e D. Rosa Saran Pavan! Aceita a José Saran como seu legitimo esposo de acordo com os rituais da Santa Madre Igreja?
— Sim! Aceito… balbuciou ela!Sr. José Saran – continuava o padre — filho de Antonio Saran e D Maria Rosane! Aceita como sua legitima esposa Angelina Maria Pavan de acordo com os rituais da Santa Madre Igreja?
Sim! Respondeu ele com voz firme e plenamente seguro de si.
Momentos depois, todos reunidos, comemoravam alegremente o casamento de Angelina Maria Pavan e José Saran. Era o dia 05 de novembro de 1921.05 de novembro de 1971! Cincoenta anos após. O pequeno povoado se transformou em uma grande cidade. A terra cedeu lugar ao asfalto. As pequenas casas de pau a pique ou de madeira, cederam lugar aos imensos arranha-céus. Nas ruas da cidade, transitam os mais modernos automóveis que tomaram o lugar dos cavalos. A cidade cresceu, possue ares de metrópole e seu povo continua trabalhando para que cresça mais ainda imbuído do espirito de pioneirismo que foi trazido pelos primeiros que aqui vieram.
05 de novembro de 1971! Cincoenta anos depois, uma enorme legião de filhos e netos representa o maior e melhor presente da união entre Angelina Maria Pavan e José Saran. Hoje, encarnecidos, nas múltiplas homenagens que seus descendentes e a cidade lhes prestam, uma lembrança terna e romântica, contínua.
Um sentimento inefável daquele momento doce que marcou o inicio destes cincoenta anos de vida em comum: temos a certeza de que com imensa saudade, com os pensamentos unidos
Angelina Maria Pavan e José Saran, voltam ao dia 05 de novembro de 1921, relem-
brando a capelinha humilde, o momento do sim, tudo, enfim, para em uníssono, com corações voltados para o Alto dizerem com toda a sinceridade: OBRIGADO SENHOR! OBRIGADO PELA NOSSA UNIÃO! OBRIGADO PELOS FILHOS QUE TEMOS! OBRIGADO, MUITO OBRIGADO PELA FELICIDADE QUE JAMAIS NOS FALTOU.










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