Anésio Duarte: a história de um dos nomes mais respeitados da segurança e do Direito em Araçatuba
Anésio Duarte foi um dos personagens mais marcantes da história recente de Araçatuba, reunindo em uma mesma trajetória as funções de delegado de polícia, secretário municipal, advogado, professor e atuante em obras sociais e espíritas.
Origens e formação
Natural de Auriflama, no interior de São Paulo, Anésio Duarte nasceu em 18 de agosto de 1937, em uma família simples, acostumada ao trabalho e à disciplina. Ainda jovem, ele seguiu o caminho da carreira policial e ingressou na Polícia Militar do Estado de São Paulo, onde atuou por 16 anos. Nessa fase, conviveu com o dia a dia das ruas, com a realidade da população e com os desafios típicos da segurança pública.
Ao mesmo tempo, não abriu mão dos estudos. Anésio Duarte formou-se em Direito e em Ciências Sociais pela Faculdade de Direito Riopretense, em São José do Rio Preto. A formação jurídica e humanista seria uma marca importante de toda a sua vida. Depois, ele ainda se especializou em diversas áreas, como direito penal, civil, eleitoral, legislação municipal e técnicas de interrogatório, participando inclusive de cursos realizados em convênios internacionais, com instituições dos Estados Unidos.
Essa combinação de experiência prática na segurança pública com sólida base teórica no Direito fez de Anésio Duarte um profissional respeitado, preparado tanto para o enfrentamento do crime quanto para a interpretação da lei.
Da Polícia Militar à Polícia Civil
Depois de uma longa passagem pela Polícia Militar, Anésio Duarte decidiu migrar para a Polícia Civil. A mudança de corporação significou também uma mudança de enfoque: da atuação ostensiva nas ruas para o trabalho de investigação e de comando de delegacias.
Como delegado, ele passou por diversas cidades do interior paulista, entre elas Nova Granada, Palestina, Onda Verde e São José do Rio Preto. Em todas essas localidades, construiu a imagem de delegado sério, exigente e respeitado. Colegas e subordinados lembram que Anésio Duarte era firme nas decisões, mas cuidadoso na aplicação da lei, sempre atento às consequências de cada ato.
Chegada a Araçatuba e o 1º Distrito Policial
Foi em meados da década de 1970 que Anésio Duarte chegou a Araçatuba, cidade onde se tornaria uma referência. Ele assumiu a titularidade do 1º Distrito Policial e permaneceu no comando da unidade por cerca de dez anos, até a aposentadoria na Polícia Civil.
Naquele tempo, o 1º Distrito Policial funcionava na antiga Cadeia Pública de Araçatuba. O ambiente, naturalmente, exigia firmeza, organização e preparo. Muitos policiais que trabalharam ali relatam que Anésio Duarte foi o primeiro chefe que tiveram na carreira e que, com ele, aprenderam não apenas a rotina da delegacia, mas também valores de responsabilidade, ética e respeito. Não são raros os depoimentos que o definem como “profissional do mais alto gabarito” e “excelente delegado de polícia”.
A passagem de Anésio Duarte pelo 1º Distrito Policial marcou uma geração de servidores, que o enxergavam como líder, professor e referência técnica. Vários ex-subordinados destacam que ele soube conciliar autoridade e didática, cobrando disciplina ao mesmo tempo em que ensinava.
Secretário Municipal de Segurança Pública e a criação da Guarda Municipal
Após se aposentar da Polícia Civil paulista, Anésio Duarte foi novamente chamado ao serviço público, dessa vez na esfera municipal. Em Araçatuba, aceitou o convite para assumir a Secretaria Municipal de Segurança Pública nas gestões da prefeita Germínia Dolce Venturolli, entre 1989 e 1992 e depois entre 1996 e 2000.
Nesse período, teve papel decisivo na estruturação da segurança pública local. Um dos pontos mais marcantes de sua gestão foi a implantação da Guarda Municipal de Araçatuba, durante a primeira passagem pela secretaria. A Guarda surgiu como um novo braço de proteção da cidade, reforçando a presença do poder público em espaços públicos, auxiliando outras forças de segurança e aproximando o tema da segurança da realidade cotidiana dos moradores.
Ao conduzir esse processo, Anésio Duarte colocou em prática toda a experiência acumulada nas forças policiais e no Direito, atuando com visão estratégica e foco na proteção da comunidade. A Guarda Municipal, que continua em funcionamento, é parte importante do legado administrativo que ele deixou na cidade.
Advocacia e atuação jurídica em Araçatuba
Mesmo depois de deixar a Polícia Civil, Anésio Duarte não se afastou do Direito. Ao contrário, manteve intensa atuação como advogado em Araçatuba. Trabalhou em causas cíveis, penais e securitárias, representando empresas, profissionais da segurança pública e diversos clientes da região.
No dia a dia da advocacia, Anésio Duarte era reconhecido pela firmeza das defesas, pela capacidade de argumentação e pela seriedade com que conduzia cada caso. Colegas de foro recordam que ele dominava os temas jurídicos com segurança, especialmente nas áreas em que havia se especializado ao longo da carreira.
Mesmo aos 80 anos de idade, ele seguia atendendo dezenas de clientes, mantendo-se ativo, atualizado e presente no cenário jurídico de Araçatuba. Essa continuidade de atuação reforçou o respeito que sempre teve entre advogados, juízes, promotores e demais operadores do Direito.
Professor e formador de gerações
Outra faceta importante de Anésio Duarte em Araçatuba foi a de professor. Ele lecionou Direito Penal e Processo Penal no Centro Universitário Toledo, instituição que se tornou referência na formação de bacharéis em Direito na cidade e em toda a região.
Na sala de aula, o professor Anésio Duarte levava para o conteúdo teórico a experiência concreta da vida policial e da advocacia. Ex-alunos lembram que ele gostava de ilustrar conceitos com casos reais, sempre preservando a ética e o sigilo, mas mostrando como a lei se aplica na prática. Essa abordagem aproximava o estudante da realidade das delegacias, fóruns e escritórios de advocacia.
Muitos ex-alunos contam que Anésio Duarte foi determinante em suas decisões de seguir carreiras jurídicas, seja na advocacia, seja em concursos para a magistratura, Ministério Público ou polícia. Eles o descrevem como um professor exigente, mas acessível, que incentivava a leitura, o estudo constante e a postura ética acima de tudo.
Atuação espírita e social
Fora das salas de aula, das delegacias e dos fóruns, Anésio Duarte também se dedicou à espiritualidade e ao trabalho social. Durante anos, ele foi frequentador e companheiro de instituições como o Centro Espírita Luz e Fraternidade, a Casa da Sopa e a Instituição Nosso Lar, em Araçatuba.
Nessas casas, participou de atividades de acolhimento espiritual, campanhas de doação e auxílio a famílias em situação de vulnerabilidade. Essa atuação, mais discreta, mostra um lado humano muitas vezes conhecido apenas por quem convivia com ele nas atividades espirituais e assistenciais.
Família e vocação para a segurança pública
Na vida pessoal, Anêsio Duarte foi casado por 52 anos com Aparecida de Lourdes Savazzo Duarte. O casamento foi marcado por uma longa convivência, construída com base em respeito, companheirismo e fé. Juntos, tiveram um filho, Marco Antônio Savazzo Duarte.
O filho seguiu naturalmente os passos do pai e ingressou na carreira policial, tornando-se delegado de polícia. Em Araçatuba, Marco Antônio chegou a ser titular do 4º Distrito Policial. Colegas o descrevem como delegado amigo, competente e próximo da equipe, repetindo, de certa forma, a postura de liderança de Anésio Duarte.
Em 2006, porém, Marco Antônio faleceu ainda no exercício da função. A morte precoce do filho abalou profundamente a família e surpreendeu colegas e amigos, que ficaram atônitos com a notícia. A dor foi grande, mas também reforçou o reconhecimento da contribuição da família Duarte para a história da segurança pública em Araçatuba.
Respeito, depoimentos e memória
Ao longo dos anos, muitas pessoas que conviveram com Anésio Duarte fizeram questão de registrar lembranças sobre ele. Alguns destacam a convivência com o delegado no 1º Distrito Policial, quando a unidade ainda funcionava na antiga Cadeia Pública. Outros recordam o professor da Instituição Toledo, o advogado sempre preparado ou o colega de profissão que estava disposto a orientar.
Em depoimentos, é comum aparecerem expressões como “profissional do mais alto gabarito”, “excelente professor” e “excelente delegado de polícia”. Há também quem lembre com carinho do advogado que defendia policiais e cidadãos com o mesmo empenho, e do amigo presente em instituições espíritas e sociais.
Entre as imagens marcantes de Anésio Duarte, está uma fotografia tirada na Faculdade Toledo, em que aparece, da direita para a esquerda, ao lado do professor e desembargador Antônio Benedito Ribeiro Pinto, do diretor de cartório Sidney Dossi, de “Chumbinho” e do advogado Piccinin. Essa foto simboliza uma época em que grandes nomes do Direito regional conviviam no ambiente acadêmico e jurídico de Araçatuba.

Últimos anos e despedida
Nos últimos anos de vida, mesmo com a idade avançada, Anésio Duarte se manteve ativo, sobretudo na advocacia e nas relações com o meio jurídico e comunitário. Era visto como uma memória viva da segurança pública e do Direito em Araçatuba, alguém que acompanhou de perto várias fases da história da cidade.
Em 22 de abril de 2020, aos 82 anos, Anésio Duarte faleceu vítima de câncer. A notícia de sua morte causou grande comoção. Entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil em Araçatuba, colegas de polícia, ex-alunos, amigos e instituições religiosas prestaram homenagens, lembrando sua seriedade, seu conhecimento e sua dedicação à cidade.
Hoje, a memória de Anésio Duarte permanece associada à construção da segurança pública local, ao fortalecimento do ensino jurídico e ao exemplo de ética e disciplina. Sua trajetória continua viva nas instituições que ajudou a formar, nas histórias contadas por quem trabalhou com ele e na gratidão de muitos que aprenderam com seu modo de servir.




















Tive o prazer de trabalhar com Dr. Anésio por 4 anos na Secretaria de Segurança Municipal. Secretário excepcional, um amigo ímpar, sem igual. Tornei-me amiga dele e da dona Cidinha. Somente quem o conheceu sabe que pessoa abençoada que ele era. Fazem falta pessoas dessa grandeza em nossa cidade.
Muito obrigado por compartilhar uma lembrança tão especial. É muito significativo saber do convívio e da admiração construída ao lado do Dr. Anésio, tanto pelo profissional exemplar que foi na Secretaria de Segurança Municipal quanto pela pessoa generosa e abençoada que todos reconheciam. Seu depoimento reforça o legado que ele deixou e a falta que faz à nossa cidade. Agradecemos também por mencionar o carinho pela dona Cidinha — isso enriquece ainda mais essa homenagem tão merecida. Obrigado por dividir essa memória conosco.