A história da novela Roque Santeiro gira em torno da criação de um mito popular e da manipulação da fé, do poder e da memória coletiva em uma pequena cidade do interior do Brasil.
Ambientada na fictícia Asa Branca, a trama começa com a crença de que Roque Santeiro teria morrido como mártir ao enfrentar o temido bandido Navalhada, tornando-se santo popular e símbolo de devoção. Em torno dessa suposta morte, a cidade prospera: romarias, comércio religioso e interesses políticos passam a girar em torno da figura do “santo”.
No entanto, tudo muda quando Roque Santeiro reaparece vivo, anos depois. Seu retorno ameaça desmascarar a farsa que sustenta o poder local, especialmente o do coronel Sinhozinho Malta, líder político e econômico da cidade, que construiu sua influência explorando o mito. A presença de Roque coloca em xeque a fé popular, os interesses financeiros e a autoridade das lideranças de Asa Branca.
A novela acompanha os conflitos provocados por essa revelação, expondo hipocrisias, jogos de poder, fanatismo religioso e relações de dominação típicas do coronelismo. Com humor, crítica social e personagens marcantes, Roque Santeiro discute como mitos são criados e mantidos para controlar pessoas e comunidades.
Exibida entre 1985 e 1986, a novela tornou-se um marco da televisão brasileira, tanto pelo enorme sucesso de público quanto pela profundidade de sua crítica social, sendo lembrada até hoje como uma das maiores produções da teledramaturgia nacional.

