Ângela Maria Favi: a eterna Miss Araçatuba que encantou o Brasil
Ângela Maria Favi foi uma das mulheres mais marcantes da história de Araçatuba, reconhecida nacionalmente por sua trajetória como miss e lembrada pela elegância, simplicidade e vínculos profundos com a cidade.
Origem em Araçatuba e juventude
Nascida e criada em Araçatuba, no interior de São Paulo, Ângela Maria Favi viveu uma adolescência típica de cidade média, dividida entre os estudos, o trabalho e a vida social. Ela estudou em escolas tradicionais, como o Instituto Educacional Manoel Bento da Cruz, o Escola Estadual Professor Jorge Corrêa e a famosa EMEB Índio Poti, onde se destacava pela simpatia, delicadeza no trato e beleza discreta, que chamava a atenção sem afastá-la da simplicidade.
Amigos e colegas de classe a lembram como uma jovem meiga, tímida e muito educada, que caminhava com os colegas até a escola, morava em ruas conhecidas, como a rua Uruguai e a rua General Glicério, e fazia parte do cotidiano de bairro, antes de se tornar um rosto conhecido em todo o país.
Trabalho bancário e início nos concursos de beleza
Na juventude, Ângela começou a trabalhar no setor bancário, em agências como o Banco da Lavoura de Minas Gerais – que mais tarde se tornaria Banco Real – na região central de Araçatuba, na rua Oswaldo Cruz. Colegas de trabalho recordam uma profissional discreta, responsável e gentil com clientes e companheiros de agência.
Ao mesmo tempo, ela passou a participar de concursos de beleza locais e regionais. Em Araçatuba, ganhou diversos concursos e, rapidamente, se tornou presença certa nas festas e eventos da alta sociedade. Sua elegância natural, aliada à humildade, fazia com que fosse admirada tanto pelos círculos sociais mais formais quanto pelos antigos vizinhos e colegas de escola.
Miss Araçatuba, Miss São Paulo e Miss Brasil Mundo 1972
O ano de 1972 marcou o auge da trajetória pública de Ângela Maria Favi. Representando sua cidade, ela foi eleita Miss Araçatuba e, em seguida, conquistou o título de Miss São Paulo 1972. A vitória estadual provocou grande comoção em Araçatuba, e muitos moradores se lembram da sua chegada ao Aeroporto Franklin Delano Roosevelt Araçatuba (antigo campo de aviação no Bairro Santana), recebida por uma multidão que lotou o local para homenageá-la.
Naquele período, existiam duas grandes vias de projeção para as candidatas brasileiras: o concurso Miss Brasil, oficialmente vinculado ao Miss Universo, e o Miss Brasil Mundo, que definia quem representaria o país no Miss Mundo. A principal diferença é que o Miss Brasil (oficialmente Miss Universo Brasil na época) selecionava a representante brasileira para o concurso Miss Universo, enquanto o Miss Brasil Mundo elegia a candidata para o Miss Mundo, que são competições internacionais distintas.
Em 1972, as vencedoras e seus destinos ajudam a entender melhor esse cenário. No Miss Brasil (Universo) 1972, a vencedora foi Rejane Vieira Costa, do Rio Grande do Sul, que representou o Brasil no Miss Universo e terminou como vice-campeã, em 2º lugar. Já no Miss Brasil Mundo 1972, o título ficou com Ângela Maria Favi, de São Paulo, que se tornou a representante do Brasil no Miss Mundo daquele ano.
Embora ambos sejam concursos de beleza, eles são organizados por franquias diferentes e têm critérios e focos distintos. Em linhas gerais, o Miss Universo tende a dar maior ênfase à comunicação, liderança e presença de palco, enquanto o Miss Mundo tradicionalmente valoriza, além da beleza e elegância, iniciativas de engajamento social, projetos humanitários e habilidades artísticas, como talento e expressão.





Desafios pessoais e participação no Miss Mundo
A fase de maior visibilidade coincidiu com um momento difícil em sua vida pessoal. Relatos da época indicam que o pai de Ângela faleceu às vésperas de uma etapa importante de concurso. Mesmo abalada, ela seguiu na disputa porque a família a incentivou a não desistir. Muitos acreditam que, no Miss Brasil, seu abatimento pelo luto pode ter influenciado o resultado final, embora o segundo lugar tenha sido um feito expressivo.
Como Miss Brasil Mundo 1972, Ângela participou do Miss Mundo, realizado em Londres. Na competição internacional, vencida pela australiana Belinda Roma Green, a brasileira não se classificou entre as finalistas, mas sua presença reforçou a participação do Brasil e projetou, ainda mais, o nome de Araçatuba para além das fronteiras nacionais.

Elegância, generosidade e vida em sociedade
Em Araçatuba, Ângela Maria Favi virou sinônimo de elegância. Colunistas sociais a descreviam como uma mulher cuja presença “enfeitava qualquer festa”. Nas décadas seguintes, sua imagem continuou associada ao período em que os concursos de miss tinham enorme prestígio e mobilizavam a cidade inteira em torno de desfiles e transmissões pela televisão.
Porém, as lembranças mais fortes de quem conviveu com ela vão além das coroas e faixas. Amigas, vizinhas e ex-colegas de escola contam que Ângela era simples no dia a dia, tratava todos com carinho e mantinha laços próximos com o bairro em que vivia. Há relatos de vestidos elegantes emprestados para formaturas, encontros na rua rumo à escola e conversas que mostravam uma pessoa afetuosa, serena e acessível, apesar da fama.






Casamento, filhos e nova etapa da vida
Após o auge como miss, Ângela Maria Favi decidiu seguir outro caminho. Ela se casou com Hélio Fogolin e optou por deixar os concursos, dedicando-se à vida familiar. Em casa, concentrou suas energias no cuidado com o marido e com os filhos, Karina Favi Fogolin e Hélio Fogolin Júnior.
Essa escolha reforçou a imagem de uma mulher que, mesmo tendo alcançado visibilidade nacional, preferiu priorizar a intimidade do lar e a criação dos filhos. Ainda assim, continuou a ser lembrada como a “eterna Miss Araçatuba 1972”, título repetido com carinho por amigos e moradores da cidade.
Doença, morte e memórias em Araçatuba
Já na maturidade, a vida de Ângela foi marcada pela luta contra o câncer de pulmão. Ela enfrentou a doença por mais de um ano, com várias internações no período final. Ângela Maria Favi morreu em 28 de junho de 2003, aos 49 anos, em Araçatuba, sua cidade natal.
O velório ocorreu na Capela Cardassi, em frente ao cemitério da Saudade, onde foi sepultada. A despedida reuniu familiares, amigos, ex-colegas de trabalho, vizinhos e admiradores que a acompanharam desde os primeiros concursos até a fase em que ela se dedicou exclusivamente à família.
Em Araçatuba, o nome de Ângela Maria Favi permanece vivo nas histórias contadas por quem conviveu com ela, nas lembranças de sua chegada triunfal como Miss São Paulo e nos depoimentos de quem a descreve como uma mulher linda, humilde e inesquecível.

























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